segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Tema de redação Pequeno príncipe


O Portfólio é um conjunto de temas comuns ao processo seletivo que todo mundo que quer estar bem preparado deve fazer.
Leia os temas e inspire-se na redação modelo para fazer a sua.

De redação em redação a gente chega lá!


PEQUENO PRÍNCIPE
Perda do fenótipo
Marcado por traições, o desenvolvimento histórico da humanidade, ensinou a sociedade a basear suas relações de amizade na superficialidade. Sendo assim, a realidade atual se contrapõe ao ideário do pequeno príncipe pautado na amizade verdadeira. Logo, as gerações que estão sendo construídas estão sofrendo o efeito dos baobás não arrancados.
De César e Brutus à Stalin e Hitler, as amizades foram desconsideradas em prol do sentimento egoísta e individualista. Dessa forma, a sociedade atual tem perdido o fenótipo da amizade e nesse sentido trivializando  suas relações inter-pessoais. Assim, o processo de cativar, ensinado pela raposa, na obra O Pequeno Príncipe, não se enquadra mais nos padrões atuais dos homens sérios que contam estrelas e seguem regulamentos.
Por conseqüência da Segunda Guerra Mundial, Hannah Arendt previa a desumanização e o aumento da distância social, como fruto do totalitarismo, capitalismo e terrorismo. Sendo assim, a necessidade de partilhar com os amigos, até então gene dominante na humanidade, se transformou em pseudo-amigos, que vão de amizades virtuais à animais de estimação. Nesse sentido, a indústria aproveita desta realidade para patrocinar ainda mais uma vida solitária que se materializa de entrega a domicílio à disk amizade.
Para Aristóteles: uma virtude, para La Boétie: recusa a servidão, para Kant: amor e respeito recíproco, para a raposa: oportunidade de aprender e de crescer, algo inestimável, assim a amizade foi sendo conceituada ao longo da história. Nesse sentido, é necessário que os seres humanos analisem suas vivências e valores, para que não continuem cometendo os mesmos erros, de cultivar baobás. Restabelecer, a expressão da amizade em suas relações sociais, é a característica necessária para que as pessoas grandes vejam o invisível, porém essencial.

 Elos sociais
            Na pós-modernidade, cativar tornou-se uma atitude ultrapassada em meio à priorização do lucro e do superficial. Partindo dessa égide, o mundo está crescentemente comprometido apenas com questões individualmente econômicas, esquecendo-se de cultivar rosas para colher amizades.
         Dentro da lógica da supremacia do lucro na qual tempo é sinônimo de dinheiro, as pessoas não criam mais elos físicos umas com as outras, observa-se isso pela disseminação dos contatos virtuais ou das aproximações por mera finalidade financeira. Nesse contexto, os seres humanos encontram-se mais individualistas, vivenciando menos o prazer de relacionamentos seja namoro ou amizade fundamentados na sutileza de conhecer verdadeiramente o outro.
         Para Antoine de Saint-Exupéry, cativar é responsabilizar-se por alguém. Partindo desse princípio, falta ao mundo criar vínculos sociais, pois em pleno século XXI e no ápice do desenvolvimento técnico-científico existem 1 bilhão e 180 milhões de pessoas passando fome, provando que o capitalismo e a globalização não “cativaram” a todos.
        Milton Santos apregoava a importância da cognoscibilidade como meio de entender o mundo. Ratificando essa máxima e ampliando o conceito de cativar, faz-se necessário a todos os indivíduos conhecerem os problemas do planeta, estabelecendo elos sociais para não se tornarem apenas máquinas do sistema capitalista. Afinal, o sentido da vida está nas relações.


Proposta de redação em http://www.mararute.com.br/

Tema de redação Trânsito - Professora Mara Rute propõe redação modelo portfólio 2013

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Ensaio sobre vias seguras
As cidades brasileiras receberam nos últimos tempos um volume grande de carros para suprir a carência de tempo da vida moderna. Esse contingente cria engarrafamentos, gera violência e acidentes. Nesse contexto, os dados de morte no trânsito levam nações a buscarem desde transportes alternativos até medidas mais severas para diminuir os efeitos de um trânsito suicida.
            A rápida urbanização sofrida no Brasil, desde os anos 1950, reflete-se em cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, que crescem e multiplicam seus problemas no setor de transporte. Isso porque o planejamento e a infraestrutura das estradas não acompanharam o mesmo ritmo de desenvolvimento do país. Além de questões estruturais, o desrespeito perante as regras de trânsito, ingestão de bebidas alcoólicas e a falta de prudência e educação de grande parte dos motoristas, transforma o asfalto em arena de disputas, e  viver, uma aventura perigosa.
            Diante dessa situação, não cabe mais pensar em pseudo-soluções, como aumento da malha viária que logo atrairia mais automóveis para as ruas e estradas. A solução começa com investimento maciço em transporte público de alta capacidade como fez o Japão - na construção de trens e metrôs – aliado a projetos de mobilidade urbana sustentável como as ciclovias. A manutenção e maior fiscalização e sinalização nas vias têm grande relevância por contribuir com a diminuição dos acidentes. Projetos importantes como o sistema de rodízio de carros em São Paulo é um exemplo real para suavizar o caos nas grandes metrópoles e medidas mais severas como a Lei Seca, pode ser uma saída para repreender motoristas inconsequentes.
            Pelo andar de carros velozes, que matam uma pessoa a cada sete minutos, o trânsito é mesmo um campo de guerra. Mas, por trás de placas de metal estão seres humanos, e esses são, concomitantemente, um dos problemas e uma possível solução para reverter essa realidade brasileira. Ações educativas e conscientização por parte da sociedade podem abrandar os efeitos perversos e contribuir para um trânsito mais humano, prudente e seguro, melhorando assim a qualidade e a duração de vidas.
 VEJA A PROPOSTA DE REDAÇÃO EM www.mararute.com.br 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Mundo Possível de Bauman como sugestão de Redação de Mara Rute

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Com base na entrevista de Bauman ou na leitura de uma de suas obras, produza um texto copiando os argumentos do autor bem como utilizando-se de exemplos citados por ele para compor o texto sobre o seguinte tema: O mundo de hoje não é o único mundo Possível.
Em seu texto é preciso levar em consideração as condições em que o mundo está e as que são necessárias para a produção deste outro mundo.



 Um mundo de crenças
O mundo atual baseia-se na economia de excessos e exploração demasiada dos recursos naturais. Por esse viés, geógrafos temem que ainda no século XXI seja necessário outro planeta para atender as demandas de mais de sete bilhões de pessoas. Como não há outro planeta habitável, a sociedade liquido-moderna passou a refletir sobre a possibilidade de um mundo  menos predatório.
            Na Era da Liquidez, a humanidade vive um momento da história onde o consumo é ideologia de vida e os alimentos são usados para alimentar motores. Partindo de tal verdade, milhões de pessoas morrem de fome porque a riqueza está concentrada nas mãos de poucos e é essa minoria que controla e organiza todo o resto da sociedade. Além disso, o consumo desenfreado e a superexploração do que a Terra nos oferece, degrada cada vez mais o planeta, levando-o à ruína.
            Para Bauman, é preciso acreditar no potencial humano para que outro mundo seja possível. Partindo de tal égide, é preciso que os integrantes dessa geração revejam os fundamentos atuais visto que o mundo de hoje não está funcionando adequadamente. Medidas de planejamento familiar e de urbanização colaborarão para a melhor convivência dos sete bilhões de habitantes. Dessa forma, a geração futura herdará um planeta com menos conflitos e injustiças.
            Nunca na história da humanidade houve condições técnicas e cientificas tão favoráveis para a construção de uma outra realidade global. Com essas ferramentas do presente e acreditando no homem como protagonista da mudança, será possível deixar um mundo que ainda tenha capacidade de atender as necessidades humanas existentes e as do porvir.

Larissa Bispo 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Redação Modelo - Violência como resposta


Violare humanum est/Assim somos/ Sempre violentos              
O século XXI trouxe em seu cerne mudanças substanciais na forma de relação e trabalho. O mundo virtual, a diminuição das fronteiras e o relativismo de valores também produziram maneiras “evoluídas” de violência. No entanto, uma análise um pouco mais profunda revela que seu princípio é o mesmo e está na raiz da formação do homem em sociedade. A violência assume formas associadas à identidade do grupo social.
Nos  tempos de  armas  biológicas,  invasões a países para guerras preventivas e  inimigos não declarados explodindo prédios, não é espantoso ter Suzanes matando os pais ou policiais comandando o tráfico. O mundo, hoje cada vez mais sem fronteiras, uniformiza práticas violentas que se proliferam com cliques produzindo cyber-bullying ou viagens para derrubar aviões. Bem diferente dos complôs para matar Alexandres ou os macabros rituais de Hitler em seus campos de concentração.
No entanto, os confrontos entre israelenses e palestinos ganham, a cada dia, capítulos repetidos de violência, intolerância e revanchismo, marcados apenas por breves períodos de trégua. Suzane, apontada como fruto do século XXI não difere muito dos Cains ou Brutus da história. Uma prova de que o que tem acontecido não são mudanças radicais de práticas e representações sobre violência, mas talvez uma plataforma maior para a difusão desta ou mesmo uma mídia que nos alimenta de sangue todos os dias nos telejornais.
A violência contemporânea, manifesta com diferentes formas de fanatismo, terrorismo, crescimento da xenofobia, atos de homofobia e serial killers, demonstra que a globalização não criou um caminho para a compreensão do outro ou para a pacificidade mundial. Em tempos de relativismo sequer se discute ideia de bem ou mal, no entanto querer um mundo pacífico é um ideal que a história nunca deu conta de mostrar - Somos violentos e evoluímos com isso.



REDAÇÕES NOTA DEZ DO ANGLO SOBRE VIOLÊNCIA

Aluna: Ana Maria C. Gonzales    -       Título: As reais causas da violência
O caos ocorrido recentemente em São Paulo devido aos ataques articulados com maestria pelos chefes do crime organizado (que não encontraram dificuldade para fazê-lo, mesmo estando presos) traz à tona, novamente, a falência do Estado enquanto protetor de seus cidadãos e mantenedor da ordem. E esta situação se agrava na medida em que as causas dessa falência não são combatidas.
Dentre elas, destaca-se a “justiça” de nosso país, que corrompe-se constantemente em favor daqueles que podem comprá-la, deixando-os impunes, independentemente da gravidade de seus crimes, e que mesmo quando julga, de fato, um criminoso, o faz baseada num código de lei obsoleto, o que contribui ainda mais para seu descrédito.
É também importante a escassez de verbas que o governo destina à segurança, refletida na falta de condições e de preparo da polícia, que, por isso mesmo, torna-se ineficiente e, não raro, corrupta.
Além disso, é determinante a ausência (ou desorganização) do Estado em determinadas regiões, notadamente na periferia dos grandes centros urbanos, o que leva essa população desamparada a reconhecer o crime organizado como sendo a única “instituição” capaz de exercer funções que deveriam ser desempenhadas pelo primeiro, como, por exemplo, protegê-los da violência.
Tudo isso somado só faz crescer a sensação de insegurança que toma conta dos brasileiros e causa a descrença no governo, com a conseqüente falta de interesse pela política, levando, assim, à manutenção dessa situação indefinidamente, já que para que algo mude é fundamental que a sociedade se mobilize para pressionar seus governantes a fim de que eles ajam no combate às causas acima. Até que isso ocorra, “salve-se quem puder”!

Aluna: Gladys Ribeiro Rosa                -          Título: Teatro da desordem
A violência é o termômetro da ordem na sociedade. Países com Estado organizado e população com boas condições de vida não têm motivo para apresentar altos índices de criminalidade. Aqueles que, no entanto, ao construir sua história esqueceram no caminho o real significado de “democracia” e “Estado” sofrem hoje as conseqüências. E é nesse grupo que o Brasil se encaixa.
A função do Estado é prover aos cidadãos as condições para viver de forma digna. Hobbes afirmava que é em troca dessa ordem e segurança que o homem entrega sua liberdade a uma “assembléia de homens”. No entanto, hoje, no Brasil, o Estado não apenas não desempenha sua função corretamente como também afirma que todo cidadão é livre, ignorando o fato de que temos liberdade de “ir” sem nunca ter certeza de que estaremos vivos para “vir”.
Esse Estado desorganizado abre espaço para o crime organizado uma vez que os acertos deste dependem dos erros daquele. E o Estado não pára de errar: governa em favor dos interesses das elites, se esquece dos direitos dos cidadãos – mas nunca dos deveres – e, para completar o retrato da desordem, semeia a impunidade. Junta-se tudo e tem-se a fórmula de como fadar um país ao eterno subdesenvolvimento.
Em um país subdesenvolvido como o Brasil, com um Estado ausente e distante, o povo é apenas espectador de sua história, nunca protagonista. Mas “tudo bem”, antes de as cortinas fecharem vem o “final feliz”: o Brasil vai ser hexacampeão. E a realidade vai continuar assim, sempre igual.

Aluna: Renata C. de Mello F. Delfino        -       Título: Ordem e inclusão
As cenas de violência escancarada que se tem presenciado no país, até então atípicas, principalmente nos últimos meses, demonstram as falhas do Estado e servem como base de indagações sobre o seu papel e sua forma de agir contra o crime.
Essa situação de extrema violência e medo que a sociedade tem vivenciado dá indicações de um Estado desorganizado e corrupto. Vive-se sob o domínio de um Estado que não cumpre sua função de garantir a liberdade, o trabalho, a educação e a saúde de seus cidadãos; sem isso, principalmente as classes menos favorecidas ficam totalmente sem perspectivas e motivações então responsáveis pela disseminação da violência como forma de sobrevivência (assaltos, seqüestros, etc.).
O Estado erra novamente na maneira de combater essa violência, fruto do seu mau gerenciamento, que se resume na tentativa de apenas reprimir a criminalidade, como se a prisão dos criminosos resolvesse todos os problemas, ou seja, trata a violência com mais violência, o que é na maioria das vezes aprovado pelas classes mais favorecidas, interessadas apenas na manutenção da ordem, quando deveria combater as desigualdades sociais, a corrupção, a sonegação de impostos e proporcionar educação, emprego, e com isso combater primeiramente o que gera a criminalidade.
Enquanto não se conseguir uma gestão organizada com atuações claras e objetivas a fim de restaurar a moral política e social, lutando contra o individualismo e frisando a importância do exercício da cidadania e da inclusão social, continuar-se-á a assistir cada vez mais à impunidade do Estado frente a facções criminosas e a viver cenas de uma guerra civil.

Bauman dá uma força na Redação do ENEM


O maior desafio da escrita de um bom texto está, sobretudo, na produção de fontes que fundamentem o que você quer dizer. Ter uma cartela de pensadores que explicam as grandes questões que os processos nos pede para discorrer é importante. Entender a forma da construção de um mundo melhor sobre o olhar de Eduardo Galeano ou de Milton Santos, as faces desse Brasil sob as  vistas de Roberto da Matta e Sérgio Buarque de  Holanda é a forma que temos para não repetirmos os chavões de sempre. 
Mudar o olhar e escrever com propriedade relaciona-se menos com ler revistas e assistir jornais e mais com ter pensadores fundamentando nossos  pontos de vista.
 Um bom texto não tem somente minha voz, mas  vozes mais importantes que a minha. Por isso apresento um vídeo indicado pelas minhas queridas "Butes" do homem que estamos aprendendo a admirar Zygmunt Bauman: 
Assista e perceba que suas respostas se encaixam perfeitamente com o que precisamos entender....
Há muitos outros....aventure-se a navegar no mar de possibilidades do mundo  sem fronteiras....

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tema de Redação Transporte - Professora Mara Rute sugere tema com Recortes - Portfólio 2013


 O Portfólio é um conjunto de temas comuns ao processo seletivo que todo mundo que quer estar bem preparado deve fazer.
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De redação em redação a gente chega lá!

(INEP – 2013) TRANSPORTE
As vendas de automóveis de passeio e de veículos comerciais leves alcançaram  340 706 unidades em junho de 2012, alta de 18,75%, em relação a junho de  2011, e de 24,18%, em relação a maio de 2012, segundo informou, nesta  terça-feira, a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores  (Fenabrave). Segundo a entidade, este é o melhor mês de junho da história do  setor automobilístico.
Disponível em: . Acesso em: 3 jul. 2012 (adaptado).
Na capital paulista, o trânsito lento se estendeu por 295 km às 19 h e superou  a marca de 293 km, registrada no dia 10 de junho de 2009. Na cidade de São  Paulo, registrou-se, na tarde desta sexta-feira, o maior congestionamento da  história, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Às 19 h, eram  295 km de trânsito lento nas vias monitoradas pela empresa. O índice superou  o registrado no dia 10 de junho de 2009, quando a CET anotou, às 19 h, 293 km  de congestionamento.
Disponível em: . Acesso em: 03 jul. 2012 (adaptado).
O governo brasileiro, diante da crise econômica mundial, decidiu estimular a venda de automóveis e, para tal, reduziu o  imposto sobre produtos industrializados (IPI). Há, no entanto, paralelamente a essa decisão, a preocupação constante  com o desenvolvimento sustentável, por meio do qual se busca a promoção de crescimento econômico capaz de  incorporar as dimensões socioambientais.
Considerando que os textos acima têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo sobre sistema de  transporte urbano sustentável, contemplando os seguintes aspectos:
a) conceito de desenvolvimento sustentável;
b) conflito entre o estímulo à compra de veículos automotores e a promoção da sustentabilidade;
c) ações de fomento ao transporte urbano sustentável no Brasil.



O princípio
Desde a formação da Roma Antiga até as cidades remodeladas pelas Revoluções Industriais, os dilemas urbanos persistiram e se agravaram, de tal forma, que tornaram a dinâmica urbana contemporânea insustentável. Nessa perspectiva, o tráfego urbano desponta como um dos graves problemas hodiernos a serem superados e que só tendem a piorar com o passar do tempo. Mesmo assim, a era pós-moderna reúne as condições adequadas, que são capazes de viabilizar o desenvolvimento de cidades mais justas e sustentáveis.
De transportes coletivos ineficazes aos engarrafamentos dantescos das megalópoles, torna-se essencial que os indivíduos apreendam que os problemas urbanos estão conectados. Desse modo, para solucioná-los, torna-se essencial aliar o conhecimento atual a muita criatividade, tal premissa é fundamental para a sociedade contemporânea rumo à sustentabilidade urbana. Contudo, a cidade de Seul (Coréia do Sul), através do Rodízio Solidário no qual o motorista participante recebe incentivos fiscais e vagas grátis em estacionamentos, tem mostrado como políticas sustentáveis de tráfego urbano podem ser postas integralmente em prática, desde que haja uma aliança consolidada entre os cidadãos e seus representantes.
No despontar da pós-modernidade, o homem encontra-se imerso em uma sociedade capitalista que estimula o consumismo voraz ao associá-lo como sinônimo de felicidade pessoal. Seguindo essa perspectiva, só no mês de dezembro, a venda de motocicletas cresceu cerca de 25% em 2012, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, o que representa que os valores capitalistas são grandes inimigos da sustentabilidade. Tendo em vista tal égide, o desenvolvimento sustentável precisará romper com os ditames contemporâneos, a fim de propagar os ideais de que é possível crescer, inovar e, mesmo assim, respeitar o direito das futuras gerações em aproveitar as mesmas oportunidades que não geração possui.

Para além disso, Albert Schweitzer já apregoava que o mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de dominarem a si mesmos. Diante dessa conjuntura, os dilemas urbanos se agravaram, visto que, a contemporaneidade tornou-se a difusora de ideais individualistas. Logo, para que um caminho rumo à sustentabilidade seja construído será preciso que a sociedade civil, propulsionada pelo Estado que tem caráter abarcativo, apreenda e difunda o princípio de que as cidades são feitas por pessoas e para pessoas, assim, para que aquelas mudem, é essencial que estas se transformem primeiro.
Orlando Oliveira 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Tema de redação identidade - Mara Rute propõe recorte sociológico - Portfólio 2013

Identidade Nacional

SÓ DE SACANAGEM ( Elisa Lucinda)

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer: “- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:  “- Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram? IMORTAL!!!
 Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda

Raízes do Brasil foi publicado em 1936, e causou grande impacto pois discute o choque entre a tradição e modernidade na sociedade brasileira. Para tal, ele busca nas raízes desta sociedade uma explicação para o atraso social existente no país, produzindo, ao mesmo tempo, hipóteses para uma possível superação deste retrocesso.      
          Segundo ele, a formação do Brasil contemporâneo está diretamente ligada às origens da sociedade brasileira, ou seja, está atrelada à colonização e ao seu legado cultural, político e institucional. Assim, o tradicionalismo da política brasileira vem de seu passado ibérico, ou seja, de suas raízes. 
Sérgio Buarque percebe que a modernização é impedida pela herança de uma tradição ibérica e que a absorção das instituições portuguesas, dotadas de uma historicidade própria, traz consigo uma incompatibilidade com o ideal de desenvolvimento democrático e modernizado, evidenciando uma incapacidade de mudança adaptativa as necessidades existentes. É através desta compreensão que ele formula alguns conceitos fundamentais de sua obra. O primeiro conceito que ele usa para explicar a sociedade através de suas origens é a cultura da personalidade. Para ele, a cultura da personalidade é a frouxidão de laços sociais que implicam em formas de organização solidária e ordenada.
Sérgio aborda que as relações em Portugal não advêm do mérito, mas sim do privilégio, do status.
A segunda característica fundamental ao entendimento da sociedade contemporânea através de suas raízes é a ética da aventura. Para este estudioso, a colonização do Brasil foi promovida pelo espírito do português aventureiro, que exibe a mobilidade e a adaptabilidade, que nega a estabilidade e o planejamento, que corrobora com a cultura do ócio e se distingue do tipo trabalhador, e de sua ética do trabalho, que preza pelo “esforço sem perspectiva de rápido proveito material” (BUARQUE, Sérgio, 2000).
Ao comparar as cidades portuguesas com as espanholas, define que o espanhol é um ladrilhador, que constrói suas cidades de forma a racionalizar o espaço. Ao contrário, o português é apenas um semeador, que sai semeando cidades irregulares que se confundem com a paisagem. Também é através dessa negação do trabalho, somada a falta de planejamento, a uma demanda de mercado e, a pequena população do reino, que aparece um dos principais elementos da colonização portuguesa no Brasil, a escravidão do africano. 
É a partir desta outra herança ibérica que este estudioso propõe a quarta consideração sobre o tradicionalismo brasileiro, o homem cordial. Por sua vez, este é o símbolo da relação social sem formalidade, que leva para a vida pública a vida privada, ao propor acesso à existência política através de relações sociais de proximidade e afetividade. O homem cordial não se dá com a relação fria do Estado, e por isso essa instituição é tão fraca entre os ibéricos. Além disso, essa cordialidade não pressupõe bondade, mas apenas identifica que o homem cordial não se guia pela racionalidade, e sim pelas suas emoções. Assim, essa emotividade pode ser boa ou má, apenas não será guiada pela razão.  LEIA MAIS EM: http://www.revistacontemporaneos.com.br/n3/pdf/sergiobuarque.pdf


Proposta de Redação:  Escreva um texto dissertativo argumentativo relacionando as faces do Brasil do século XXI com suas raízes históricas, mas seguindo o argumento final do texto da Elisa Lucinda.


 Da raiz ao fruto
Todo povo tem na sua evolução um certo “sentido”. Este se percebe não nos pormenores de sua história, mas no conjunto dos fatos e acontecimentos essenciais que a constituem. Desta forma, entre séculos de exploração, anos de repressão e com abismos ainda não preenchidos, a nação brasileira busca produzir, no presente, formas clarividentes para um futuro promissor. Visto que, nunca houve condições geográficas e técnicas para a produção de outra realidade como no limiar deste século.
         O processo de colonização brasileiro acabou por permitir que se esboçasse na identidade do país uma nacionalidade diferente do modelo europeu e relativamente nova em termos sociais. Sem que isso significasse, contudo, autonomia e dinâmica própria para a sociedade em construção e mesmo após a sua independência política. Assim, a formação do Brasil contemporâneo está diretamente ligada às origens da sociedade brasileira, ou seja, está atrelada à colonização e ao seu legado cultural, político e institucional.
A modernização é impedida pela herança histórica que a nação possui, trazendo consigo uma incompatibilidade com o ideal de desenvolvimento democrático e modernizado, evidenciando uma incapacidade de mudança adaptativa as necessidades existentes. Não obstante, o homem político é cordial, transportando as condutas utilizadas na esfera privada para a esfera pública, criando uma série de impasses para a sua configuração, independente, no Brasil, e aponta para a própria fraqueza da organização social e política do país.
A utopia que foi delineada por Thomas Morus e reiterada, nesse século, por Galeano sugere que mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos, o direito de imaginar o que queremos que seja. No caso do Brasil, mesmo sabendo que não há a possibilidade de mudar o começo, a produção de melhorias no presente pode garantir uma mudança no final.
 Thainá Caló 


Veja mais redações sobre o tema em: www.mararute.com.br 
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