sexta-feira, 5 de junho de 2015

Redação Bahiana 2015 - Tema da vivência


O tema de  redação da Bahiana vai ser a cara do Enem 2007 e a vivência seguiu o roteiro da prova. Que tal reler o tema com uma redação modelo e o que a banca esperava? 
Embaixo segue a adaptação do tema e uma redação modelo associada a área médica. 
#torcendoporvocê




ENEM 2007 -























PROPOSTA DE REDAÇÃO




 A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras.
UNESCO. Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural.
Todos reconhecem a riqueza da diversidade no planeta. Mil aromas, cores, sabores, texturas, sons encantam as pessoas no mundo todo; nem todas, entretanto, conseguem conviver com as diferenças individuais e culturais. Nesse sentido, ser diferente já não parece tão encantador. Considerando a figura e os textos acima como motivadores, redija um texto dissertativo-argumentativo a respeito do seguinte tema.
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O desafio  de se conviver com a diferença
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

Observações:
→ Seu texto deve ser escrito na modalidade padrão da língua portuguesa.
→ O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.
→ O texto com até 7 (sete) linhas escritas será considerado texto em branco.
→ O rascunho pode ser feito na última página deste Caderno.
→ A redação deve ser passada a limpo na folha própria e escrita a tinta.
● COMENTÁRIOS:
Esta proposta de redação do ENEM 2007 difere das anteriores por duas razões:
→ A primeira refere-se à montagem de imagens na qual está inserido o nome da prova “Proposta de Redação”, onde pode-se ver várias pessoas de diferentes etnias, idade e origem: a atriz Camila Pitanga, negra e jovem; um senhor de chapéu que pode ser do interior do país; um bebê branco; crianças negras africanas, uma americana e uma indígena e um homem oriental. Esta montagem faz parte da coletânea textual, não é apenas uma moldura para iniciar a proposta de redação e, por meio dela, o candidato poderia inspirar-se observando as pessoas mostradas e refletindo sobre suas vidas, comunidades, origens, cultura, educação, passado, futuro etc.
→ O segundo é a letra da música Ninguém = Ninguém do grupo de rock gaúcho Engenheiros do Hawaii.  Esta música fala da variedade de etnias, culturas, costumes, dentre outros e como há também uma variedade de visões e opiniões acerca desta diversidades e como não há igualdades, na verdade, e sim diferenças e como estas são naturais, mas, apesar disso, há muita indiferença a estas diferenças e, muitas vezes, esta indiferença nem é sentida pelas pessoas, pois tornou-se algo normal.
→ Ao mesmo tempo em que somos todos iguais (somos todos iguais perante a lei, por exemplo), somos uns mais iguais do que os outros (quando, por exemplo, um rico que é detido logo é liberado e um pobre não) e, assim, no fundo, ninguém é igual a ninguém. Bastante coisa para inspirar-se, não?!
→ O terceiro texto motivador também é uma letra de música, agora dos Titãs, chamada Uns Iguais aos Outros. Esta canção, de 1995, afirma que todos os homens são iguais, que todos são filhos de Deus, que todas as etnias mencionadas são de seres humanos, mas que, apesar disso, os americanos são contra os latinos, os nordestinos já nascem mortos (pelas condições de vida, possivelmente), que não importa que língua se fala, não levaremos nada desta vida e, por isso, não devemos julgar para não sermos julgados e não importa o que se herdou, não levaremos nada (como diria minha mãe, caixão não tem gaveta) e por isso somos todos iguais, uns iguais aos outros, porque todos morreremos sem levar nada desta vida.
→ O quarto e último texto motivador é um texto da UNESCO (Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – sempre transcrevam siglas nas redações, aliás) que disserta sobre a imensa diversidade de aromas, sabores texturas, sons no mundo todo, ou seja, não só as pessoas são diferentes entre si, mas as frutas, as flores, os animais etc. Porém, nem todos nós conseguimos viver bem com essas diferenças. O que era para ser encantador, é na verdade, infelizmente, para muitas pessoas, assustador, visto a existência, ainda no século XXI, do preconceito étnico, social, xenófobo, homofóbico, dentre outros. A UNESCO afirma, com razão, que a diversidade é uma necessidade biológica humana e oportuniza intercâmbios, trocas e deve ser tida como um benefício e não um problema.
● DIRECIONAMENTO – RECORTE:
1.     Todos os textos motivadores da proposta de redação do ENEM 2007 abordam que, na verdade, ser diferente é normal, criticam todos os tipos de preconceitos e colocam a diversidade como algo natural e benéfico, que pode ser relacionada à democracia, por exemplo. Relembrar conflitos étnicos, ainda existentes no mundo, demonstra conhecimento prévio por parte do candidato.
2.     Exemplificar este problema, com casos conhecidos de discriminação, de qualquer ordem, contextualiza o tema e pode ser o início de uma discussão: qual a origem dos preconceitos? Por que eles existem? Por que é tão difícil para as pessoas conviverem com as diferenças?

3.     A proposta de intervenção social deve pautar-se em projetos palpáveis, práticos e reais que possibilitem a compreensão, o respeito e a boa convivência entre todas as pessoas, como por exemplo, oportunidades de integração de pessoas de religiões diferentes para que uma conheça a da outra. A escola é um bom ambiente para realizar este tipo de projeto, pois nela, em todas as aulas, pode acontecer conscientização, educação, juntamente com os pais e a comunidade.


À favor da vida
No decorrer da história, segundo Darwin, a vida vem se diferenciando por meio de processos evolutivos, através dos quais surgiu o homem, portanto somos fruto da diferença. Entretanto, embora pertençamos à mesma espécie, aspectos étnicos culturais nos diferenciam uns dos outros. Dificilmente iremos concordar com todas as manifestações culturais a que seremos expostos, porém temos de respeitar a todas, o que só acontecerá com a educação e com a civilização do indivíduo.
A compreensão de um determinado povo ou costume está intimamente atrelada à necessidade de entendê-los. Porém, para entendê-los é preciso estudá-los. Nessa perspectiva, a escola de qualidade proporciona um aprendizado dos motivos pelos quais uma determinada cultura age desta ou daquela maneira. Do bumba meu boi à capoeira, não é possível conceber as marcas do regionalismo antes mesmo de saber quais são as raízes históricas e a formação do povo baiano ou amazonense. Por outro lado, o ensino também ajuda a moldar a ética através de valores morais, como a da cidadania.
As várias liberdades, de religião, de imprensa, de opinião, estão estabelecidas na constituição de nosso Estado em seu caráter abarcativo. Em virtude disso, é necessário evidenciar a importância de respeitá-las e de exercê-las enquanto premissa básica para afirmação da democracia. No entanto, tais liberdades não devem ferir as liberdades alheias.  A civilização da pessoa implica, entre outras coisas, na aceitação, no respeito e na convivência com os outros cidadãos.
Para Roberto DaMatta, antropólogo brasileiro, a história do Brasil mostra que sempre insistimos em ler e interpretar o país pela via exclusiva da combinação cultural. De posse desse legado, é preciso ressaltar que embora diferentes, somos todos oriundos de uma mesma diferença, a vida. Desse modo respeitar o outro, independentemente de sua cor, credo ou cultura, está para além de uma questão ética, mas existencial.



A adaptação do tema: 
a) o desafio do médico de  conviver com as diferenças 
b) o desafio da formação do médico para conviver com a diversidade  cultural 

redação modelo

O século XXI é marcado pela Era da Globalização e do desrespeito as diferenças. Esses novos comportamentos são um entrave para uma prática médica capaz de tratar dos aspectos biológicos sem deixar de assistir ao paciente em sua saúde social.
O mundo está profundamente marcado por um processo de massificação e o indivíduo, envolvido nesse processo, termina por não respeitar as singularidades dos seus semelhantes. Mesmo o Brasil, nação multicultural marcada por diversas matrizes fundadoras, não foge da padronização dos comportamentos. Nesse processo, a medicina contemporânea é marcada por metas de tempo e formulários padronizados e vê cada paciente como um número de prontuário.
Assim, como na biologia nada é exato, na cultura o respeito as diferenças também são primordiais para a garantia da saúde social. Sendo o médico parte integrante da sociedade e formado para atender os indivíduos também no aspecto social esse deve respeitar as singularidades entendendo cada paciente como parte integrante de uma forma de viver própria de ma comunidade.
As mudanças necessárias para que os abismos culturais sejam preenchidos perpassa por um rompimento de paradigmas historicamente construídos na cultura brasileira. Às escolas de medicina, como transformadoras de realidades, cabe fomentar ações como discussões e  vivências para que o futuro médico, nas suas práticas possam produzir  igualdades no tratamento.


Redação modelo - Artigo de opinião liberdade de expressão


Uma das metas do Curso de Mara Rute é que os alunos consigam escrever no menor tempo possível sem gastar muito tempo no rascunho. Algumas histórias de sucesso do curso envolvem 980 em redação com 38 minutos de produção do texto e 10 na UESB em 45 minutos. Escrever de forma rápida garante tempo para as outras provas e, Mara garante que não compromete a nota da redação. Gastar muito tempo para produzir pode tornar o texto confuso.
No mês de maio ela escreveu uma redação no quadro a pedido dos alunos e foi muito engraçado os desafios impostos pelas turmas.
Teve aluno que passou a semana pensando no tema. Teve gente que aproveitou para pedir redações modelos de provas que iam fazer na escola. Teve gente que teve a sorte de ter uma redação modelo para o vestibular que faria no fim-de-semana e rolou até grana numa aposta feita com Vitor em Vitória da Conquista de que ela levaria 15 minutos para escrever, caso contrário pagaria 700 reais.
Ela venceu todas as etapas, algumas bem apertadas é verdade,
 Mas o objetivo foi alcançado. Provar que como em matemática ou física escrever não tem relação com autoria ou originalidade e sim domínio de uma fórmula.
Essa semana ela desafiou os alunos a produzirem junto com ela. Veja um trecho da aula em Salvador. Foram 7 artigos produzidos por ela em dois dias na hora, na aula. Alguns estão aqui para servirem de modelo para vocês.  



APRENDER A ESCREVER SE APRENDE ESCREVENDO



ARTIGO 1

Li recentemente no Jornal A Folha de São Paulo sobre a repressão policial aos professores no Sul do país. Segundo a reportagem, os professores queriam aumento salarial e foram recebidos pelo governo com balas de borracha e gás lacrimogênio. Lendo sobre esse episódio, leitores, a conclusão que se tira de imediato é que, apesar de não vivermos mais os “anos de chumbo”, lidamos ainda com tempos de liberdade cerceada. Mas será que é só no Brasil?
Indo um pouco mais adiante na questão, descobrimos que a falta de liberdade de expressão é uma epidemia mundial não somente em países com regimes totalitários. E isso enseja uma reflexão  não somente sobre o caso do Brasil e do jornal francês mas acerca da liberdade de uma maneira geral. Em primeiro lugar, é preciso dizer que, por mais óbvio que pareça, o homem nasce com o direito de expressar-se garantido pela sua capacidade cognitiva de pensar e falar. No entanto, ao longo da história, episódios como o regime cubano e a Coreia do Norte tentam tirar esse direito. Mas Primaveras e Malalas existem como resistência a esses limites.

A liberdade é inerente ao homem. Não há regimes nem ideologias capazes de retirar a seu livre arbítrio. Afinal, desde o Éden que a humanidade escolheu a liberdade em detrimento do paraíso.
22 minutos

ARTIGO 2

Li recentemente um artigo no Jornal A Folha de São Paulo sobre as manifestações dos professores do Sul do país. Segundo a notícia, as reivindicações foram recebidas pelo governo com uma repressão militar. Lendo sobre esse episódio, leitores, a conclusão que se tira de imediato é que apesar de vencido os anos de chumbo no Brasil ainda existem limites para a liberdade de expressão. Mas é só o Brasil?
Indo um pouco mais adiante na questão, descobrimos que, nos últimos anos, muitos atentados contra a liberdade de expressão aconteceram no mundo não somente em países com regime ditatorial. E isso enseja uma reflexão não somente sobre o caso do Brasil ou do Jornal Francês, mas sobre a liberdade de dizer de uma maneira geral. Em primeiro lugar, é preciso dizer que, por mais óbvio que pareça, o homem nasce com o direito de expressar –se garantido pela atribuição da capacidade de pensar e falar, somente desta espécie. E, portanto, seja com Primaveras pelo mundo ou com o surgimento de novas Malalas, essa espécie buscará a capacidade de manifestar seu ponto de vista.
A liberdade é inerente ao homem que, ao longo da história, mutabilizou-se biologicamente e avançou na conquista dos seus direitos. Portanto, entre o bem e o mal, o poder dizer ou aceitar o paraíso, o homem do passado preferiu a maçã e o do presente permanece na mesma escolha.
19 minutos 


ARTIGO 3

Li recentemente um artigo sobre verdades que nossos avôs ensinam. Segundo o autor, uma das mais famosas e perfeitamente aplicável ao momento atual, é a de que não devemos confundir liberdade com libertinagem. Lendo sobre isso, leitor, a conclusão que se tira de imediato é que há regras para a liberdade de expressão. Mas será que são respeitadas?
Indo um pouco mais adiante na reflexão, descobrimos que, quando usado devidamente, o direito de dizer produz mudanças e justiça social, assim como se viu na Primavera Árabe e no movimento Vem Pra Rua. Nesses casos, quando a liberdade é punida com repressão e violência, ela se transforma em mais mudanças, como ocorreu com a ditadura brasileira que não venceu o Tropicalismo, com os muçulmanos que não calaram Malala ou com os africanos que não apagaram o discurso de Mandela.
Por outro lado, há os que enxergam a liberdade sem respeito aos direitos dos outros e assim produzem barbáries. Para esses, surgem novas leis como o Marco Civil e novas formas de regulamentação, como a que foi imposta à mídia brasileira.
As frases dos avôs trouxeram à minha memória outra grande verdade, dessa vez do filósofo Voltaire: “Posso não concordar com tudo que dizes, mas defenderei até à morte o seu direito de dizer”. Disto não tenho certeza, já que a liberdade do outro começa quando a minha termina. Complexo não é? Então podes discordar.   
20 minutos
ARTIGO 4

Li recentemente no Jornal A Folha de São Paulo sobre o ataque ao Jornal Francês e à Editora Abril. Segundo a reportagem, foram atentados à liberdade de expressão, no século em que dizemos viver o princípio voltariano de que a liberdade é universal. Lendo essa reportagem, qual a conclusão que se tira de imediato? Que a liberdade tem algemas. Mas será que é mesmo?
Indo um pouco mais adiante na questão, descobrimos que, ao longo da história, o direito à expressão custou vidas. E isso enseja uma reflexão, não somente sobre o caso da França, mas também sobre os Anos de Chumbo no Brasil e acerca dos regimes totalitaristas, como ocorre na Coreia do Norte e em Cuba. Em primeiro lugar, é preciso dizer que, por mais paradoxal que pareça, o cerceamento da liberdade só impulsiona mais o desejo humano de expressar-se como bem se viu no Tropicalismo e na Primavera Árabe.
É da natureza humana romper com os limites impostos para a sua liberdade de expressão. Portanto, mesmo existindo novos Maos-Tsé-Tungs ou Fideis, haverão sempre Malalas e Mandelas para resistir às algemas.
19 minutos


 ARTIGO 5

Li recentemente no Jornal A Folha de São Paulo uma declaração do Papa Francisco. Segundo o pontífice, não é porque o indivíduo tem o direito de dizer que deve dizer o que quer. O mesmo Jornal trazia como notícia de capa sobre a morte dos jornalistas franceses. Lendo essas notícias, leitores, qual é a conclusão que se tira de imediato? Que há um limite na liberdade de expressão. Mas quem o estabeleceu?
Indo um pouco mais adiante na reflexão,é possível perceber que, ao longo da história humana, os Estados, sobretudo os de Regime totalitários, buscaram cercear essa liberdade ou limitá-la. No entanto, os Anos de Chumbo no Brasil não venceram a Tropicália nem tão pouco no Oriente houve quem pudesse conter a Primavera.
Tais acontecimentos ensejam uma reflexão não mais sobre o homem lutar pelo seu direito de dizer, mas sobre até que ponto ele pode dizer sem ferir o outro. Para responder a essa necessidade, surge a Declaração Universal dos Direitos Humanos, apontando a ideia de que expressar-se está diretamente ligado à responsabilidade pelo que é dito. E, no Brasil, o  Marco Civil, regularizando o uso da internet, aponta caminhos de que o governo deve ser parte integrante neste processo.
O homem não possui liberdade plena quando vive em sociedade. Resta a esse, aprender com o filósofo Voltaire que pode dizer o que quiser, desde que seja respeitado o direito do outro dizê-lo ou mesmo com a sabedoria popular de que o direito do outro começa quando o meu termina. 
 25 minutos - Salvador 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Simulado Bahiana medicina Segunda Fase

Ainda com vontade de estudar? 
Que tal usar o dia hoje para responder esse Simulado elaborado pela Equipe Eu Quero Passar? 
Igor Simões e Deciane Rosendo 











Gabarito: 








domingo, 31 de maio de 2015

Redação nota dez do Tema da Severino Sombra em Vassouras - Márcio Porto

Tema: a  importância da preservação da memória da coletividade para a sociedade.
               
 
Tempo social / Persistindo ao Tempo / Resgate evolutivo

   É fato que, a humanidade hoje é reflexo dos acontecimentos do passado. Diante disto, as inúmeras sociedades existentes na era da relatividade, distinguem-se umas das outras - entre outros fatores - devido ao acervo memorial que caricatura cada povo. Por conseguinte, é inegável a concepção da memória como elemento fundamental na formação individual, cultural e coletiva do homem.

  Nesse contexto, a construção de um povo só é possível devido à rememoração e à afirmação dos componentes que o integra. Assim sendo, a história de qualquer sociedade funciona como a sua carteira de identidade. Porém, para que essa exista, faz-se necessária a “Persistência da Memória” grupal. Já que, é através desta que as associações humanas salvaguardam sua idade coletiva, suas genealogias, seus saberes técnicos e mitológicos enfim, conservam seus pilares fundantes.

   Ratificando essa ótica, o que vai garantir a perpetuação de um grupo é a sua capacidade de reminiscência, ou seja, a sua disposição para executar o exercício da memorização, através da escrita, das construções ou do conhecimento. Contudo, é evidente que o tempo oxida tudo e a todos, entretanto, os indivíduos devem sempre lembrar os eventos que os uniram e os fizeram se identificarem uns com os outros a ponto de constituírem associações com características sociais, morais, étnicas e principalmente culturais comuns a todos integrantes. Dessa forma, uma coligação que se consagre sociedade garante o sentimento de “pertencimento” e identificação com sua nação e seu país.

   Para Eduardo Galeano, a memória não perde o que merece ser salvo. Somando-se a essa máxima, na construção de uma sociedade, não se deve haver discriminação dos fatos, com o intuito, de que haja uma conservação da memória e, consequente transmissão límpida - utopia. No entanto, é indispensável a sua constante assimilação e resgate para nortear o homem rumo à qualidade: ser-social. Afinal, é através da arte de memorizar que se conhece o passado, tem consciência do presente e projeta perspectivas para o futuro.

 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Tema de Redação Bahiana 2015



A corrida por ser médico cada dia aproxima-se mais de uma vocação. Poucos tem a força suficiente para enfrentar concorrências, estudar noites a fio e perseverar, entre tantas derrotas, até o sonho final. Fico orgulhosa de vocês que chegaram até aqui numa etapa que muitos outros queriam estar.

“Ah a segunda fase da Bahiana!”, “Chega a ser quase um troféu!” e é isso que queremos: sua vitória definitiva como um troféu depois de tanta batalha. Por isso nos empenhamos como equipe para produzir esse material de apoio e, como em todos os anos, queremos que ele sirva para você alcançar seu sonho de chegar a universidade.

 Ano a ano construímos na Bahiana quase uma família de ex-alunos e, movidos pela paixão que temos por essa universidade, decidimos montar um roteiro de estudo de redação para garantir tranquilidade e aprovação para você. Veja em cada tema mais um degrau e nesses últimos dias tente pensar e produzi-los com carinho. Se não conseguir não tem problema. Você sabe que temos as famosas redações modelo.  

Portanto, nascido no coração do curso Eu Quero Passar, coordenado pela professora Mara Rute e desenvolvido por Isabel Oliveira e Tiago Silveira, e esse ano com a mãozinha de quem já está lá, mas quer muito ter você como colega apresentamos o PEBMSP 2015. Com novos os temas desenhados por Stephanie dos Anjos, Tiago Silveira e Lucas Vianna com o processo de correção coordenado por Lucas Vianna, Stephanie dos Anjos, Orlando Oliveira, Maria Cecília do Carmo Ferraz e Camilla Azevedo.

Este material foi baseado no histórico de processos seletivos da universidade e em textos relacionados a temática da prova em 2015 para orientar e, principalmente, direcionar você para o recorte desejado. Também acompanhe nossa orientação final após a vivência.

Aqui estão dois temas novos baseados nos textos de apoio sugeridos na prova, um tema do Enem sobre diversidade Cultural que deve ser adaptado para o papel do médico no processo de preservação da diversidade e, como a prova lembrou muito a UNEB, colocamos o tema de redação da UNEB 2015 que tratava da ideia de turismo e patrimônio. Ainda publicaremos em nossa página reflexões sobre a Baianidade se esse recorte por ventura for confirmado pela Bahiana na vivência.

Por fim lembre-se que cada história de vida é produzida por um passo. E esse, de escolher fazer o portfólio, é um passo de vitória. Esperamos que a cada redação entregue você caminhe mais à frente chegando ao lugar onde está o seu sonho.

Estaremos aqui ajudando-o a caminhar passo-a-passo.
                                                   Mara Rute Lima


“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus."


Proposta 1

Negro sofre 'discriminação institucionalizada' no serviço de saúde, diz diretor de ONG.                   


Maurício Moraes

Da BBC Brasil em São Paulo


       A tese defendida por Motta, que dirige o Fundo Baobá, uma ONG que viabiliza projetos que promovam a equidade racial, já foi sentida na pele por Marcelo Antonio de Jesus. Educador em uma ONG em São Paulo, 36 anos, Jesus conta que "durante exames", já sentiu "que há o receio de alguns médicos de tocar o paciente, pelo fato de ser negro". "Isso também ocorreu com familiares. No meu caso, em uma ocasião, fui a dois médicos diferentes. Um deles nem me examinou e deu o diagnóstico só a partir do que eu havia contado", disse.

       Eliane Barbosa, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo que publicou um trabalho analisando políticas públicas que lidam com desigualdade no país, diz que parte dos médicos dá tratamento diferenciado a indivíduos brancos e negros, mas não apenas no serviço de saúde público como também no privado.

       Para Eliane, não se trata necessariamente de um "um preconceito racional" por parte dos profissionais de saúde. "Não quer dizer que eles querem discriminar alguém", diz. "É uma questão de referência dos médicos, geralmente homens e mulheres brancas. É uma questão muito profunda, uma reprodução inconsciente de um comportamento (racista da sociedade)", diz.

      Marcelo Antonio de Jesus, que é educador, defende que a questão seja abordada nos cursos de medicina do país. "É necessária uma quebra de cultura. Boa parte dos estudantes de medicina vem de uma elite. É difícil que esses profissionais queiram depois atender na periferia. É até compreensível, porque eles vão encontrar uma realidade muito diferente da que vivem. Por isso a educação é importante", diz.


Há racismo no atendimento aos negros no SUS, diz ministro.


Agência Estado.


 


       O ministro da saúde admitiu que há racismo no atendimento a negros no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa discriminação se reflete em diagnósticos incompletos, exames que deixam de ser feitos e até na ausência do toque ao paciente, disse o ministro, citando pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz. “Esse racismo cria condições muito perversas que temos de combater fortemente. Queremos construir uma nova cultura e criar valores de solidariedade e tolerância em relação à população negra”, afirmou o ministro.


 


       O ministro Àlvares informou que o combate à discriminação inclui cursos de capacitação aos médicos, enfermeiros, atendentes de instituições credenciadas ao SUS, além do incentivo à denúncia de mau atendimento à Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde.


 


       De acordo com a coordenadora do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do ministério, Ana Costa, o governo tem alguns dados que são indicativos do preconceito no atendimento aos negros. A taxa de mortalidade materna, por exemplo, é mais que o dobro para mulheres negras em comparação com as brancas (4.79 e 2.09 mulheres por cem mil habitantes, respectivamente). Militantes do movimento negro comemoraram a postura no Ministério da Saúde. “O SUS foi criado para servir o cidadão, mas na verdade serve de acordo com a classe social, a cor”.




Campanha do SUS atribui a ‘racismo’ mortes por doença genética predominante em negros. Médicos reagem.



Felipe Moura Brasil

Revista Veja


Transcrevo o texto:

“Diz que não existe racismo, mas… em 2012 a taxa de mortalidade por doença falciforme entre pessoas pretas foi de 0.73 mortes e 0.28 entre pardas, enquanto na população branca foi de 0.08 (por 100.000 hab).”

Só tem um detalhe, que pode ser encontrado em qualquer página médica, como a do doutor Dráuzio Varella: “A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária, predominante em negros, mas que pode manifestar-se também nos brancos.” Logo, é ÓBVIO que a anemia falciforme tende a matar mais negros do que brancos, mas a realidade nunca foi empecilho para a propaganda.


Felizmente, os médicos reagiram ao embuste nas redes sociais, considerando a manipulação “torpe” e “absurda”.“Quem deveria de verdade sofrer campanha anti-racismo neste caso são as doenças e não os profissionais que trabalham no SUS. Vamos colocar no holofote as atitudes racistas que a anemia falciforme propaga, assim como o câncer de próstata e a hipertensão arterial, que insiste em adoecer mais negros do que brancos”, ironizou a página Academia Médica.

Ou então, acrescento eu, vamos acusar o câncer de pele de racismo contra os brancos, já que os negros produzem mais melanina, especialmente a eumelanina, muito eficiente na proteção contra os raios ultravioleta do sol, e têm menor risco de desenvolver a doença.

Considerando esses e muitos outros casos que você conhece sobre o assunto e refletindo sobre seus aspectos sociológicos, culturais e históricos, escreva um texto dissertativo abordando a dualidade dos posicionamentos referidos acima, acerca do racismo aos negros nos serviços de saúde, focando a figura do médico.

Redação Modelo


O racismo aos negros é uma realidade no Brasil que afeta diversos setores como o de serviços de saúde. Isso é um problema pois altera os dados epidemiológicos de mortalidade e morbidade sobre as populações negras. Assim, o preconceito a determinada raça atinge também as taxas de agravamento de doenças, devido à má conduta do médico para com esse contingente populacional.

“Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meu paciente.” Dessa forma, não deve haver espaço para estratificações acarretadas por preconceitos que tornam os atendimentos diferenciados ao ponto de prejudicar a saúde de um grupo racial. Nessa perspectiva, o Ministério da Educação juntamente com a Fundação Oswaldo Cruz e a Fundação Getúlio Vargas afirmam, pautados em pesquisas, que tal discriminação prejudica nos diagnósticos devido a não eficácia da coleta da história clínica (anamnese do paciente) pela má comunicação e na não eficácia da semiologia médica (toque ao paciente). Cabe ao médico, portanto, honrar seu juramento de Hipócrates a fim de oferecer qualidade em seus atendimentos, focando principalmente, de forma holística e clínica, na cura ou prevenção.

O tratamento diferenciado que parte dos médicos oferecem aos indivíduos brancos e negros é fruto de uma cultura racista que está enraizada na sociedade brasileira como um todo. Por isso, muitas vezes, esse gesto é feito de forma inconsciente pelo profissional de saúde, afinal, a grande maioria dos estudantes de medicina são de uma elite branca que quando colocada frente a uma realidade “pobre e preta” não reage de forma adequada devido a falha no sistema educacional nas escolas médicas. Há quem defenda a invalidade desse discurso, que a forma como o médico ver o outro não afeta na qualidade de atendimento e, portanto, na saúde. No entanto, esse argumento não é adequado, afinal, em qualquer forma de comunicação, quando se estabelece o preconceito, há uma falha no fluxo e na interação entre as partes e, no caso do serviço de saúde, acaba por afetar a lógica nas consultas que trazem qualidade na saúde.

Destarte, faz-se mister implementar nas aulas de antropologia médica, bioética, psicologia médica e introdução a atenção básica discussões voltadas para o respeito as diferenças raciais. Ademais, o estudante de medicina deve aprender a consagrar sua vida a prática médica voltada para consciência social, para empatia e para inclinação humanística. Esse aprendizado deve ser adquirido pela teoria nas salas de aulas e pelas práticas de trabalhos de campo em comunidades pobres cuja maioria habitacional seja negra. Com esses primeiros passos, o problema do preconceito acerca do racismo aos negros nos serviços de saúde será atenuado.

Fábio Rodrigues

Proposta 2

Entre a ciência e a crença: A postura médica frente à “Cura Religiosa”

Revista Âncora.

Uma retrospectiva histórica no campo da saúde nos leva a perceber que o processo saúde/doença sempre foi acompanhado de crenças e rituais, os mais diversos, ligados a questões transcendentes, ao sobrenatural. Mesmo respeitando as especificidades de cada cultura, observamos que a ligação com o sagrado no processo de adoecimento e morte percorre todas elas. O surgimento da medicina ao que tudo indica começa da apropriação das terapias e procedimentos de cura populares. A intervenção em muitos casos de doenças, feita por feiticeiros ou xamãs com ervas e procedimento digamos, “cirúrgico rudimentar”, como sugere o crânio pré-histórico exposto no Museu Etnológico de Berlim, apontam para essa questão.

Esta concepção, a partir dos autores, pode tentar explicitar a maneira como os indivíduos e diversos grupos enquanto sujeitos sociais vão construir seu conhecimento em saúde/doença a partir da inscrição social e cultural dos sujeitos sociais por um lado; e por outro, como a sociedade se dá a conhecer e construir esse conhecimento do binômio com os indivíduos. Na interação entre sujeito e sociedade é que podemos dizer que se dá a realidade.

Assim, compreender o universo das representações sociais de médicos e pacientes torna-se aspecto fundamental para compreender a polaridade das relações. A dicotomia existente entre terapias médicas e terapias populares tem que permanecer? A ruptura entre medicina e sagrado responde as questões mais subjetivas da existência humana?


A ruptura entre o conhecimento popular e o científico em saúde.

Pesquisa em educação em ciências.

Vasconcelos entende a medicina como sendo construída no diálogo. Por esse motivo, a atitude do profissional de saúde em relação à medicina popular deve ser de promover a troca de idéias: “Saber ouvir, procurar aprender, respeitar aspectos que não consegue entender mas também de dizer aquilo que sabe, de criticar atitudes que vê estarem erradas. Afinal sua ciência é fruto de muitos séculos de esforço de milhares de cientistas sérios e já teve oportunidade de provar a sua eficiência”.

Essa forma própria que as pessoas têm de encarar o mundo influência a maneira pela qual buscam conforto físico, lançando mão de diversas alternativas, que vão desde a prática informal (automedicação, aconselhamento com outras pessoas), passando pela alternativa popular (curandeiros), até chegar ao setor profissional. A cura por intermédio das alternativas populares oferece diversas vantagens a seus usuários, se comparadas à medicina ocidental moderna, tais como proximidade, afeto, informalidade, visões de mundo semelhantes, linguagem coloquial e envolvimento da família no tratamento.

O aperfeiçoamento da relação profissional de saúde e paciente deve estar centrado principalmente sobre a educação desses profissionais. É durante o período de formação que eles aprendem a se tornar mediadores entre o conhecimento científico e o senso comum, para promover a saúde da população. Uma forma de abordar essa relação seria trabalhar com os estudantes de forma integrada e não fragmentada. Os estudantes poderiam incorporar em seus conhecimentos, ainda no período de graduação, a compreensão dos fatores sociais e culturais da população e sua inter-relação com a saúde.

A análise dos problemas de forma global, considerando os pontos de vista de outros ramos do conhecimento para a abordagem de problemas de saúde, conduz a uma flexibilidade maior da maneira de pensar, integrando e articulando diferentes formas de resolução. Somente uma visão mais ampla e não fragmentada propiciará ao profissional identificar e compreender os problemas de saúde da população, agindo como um mediador entre o senso comum e o conhecimento científico, e trabalhando para promover a mudança de atitude por parte dos pacientes. Porém, a mudança de atitude deve atingir principalmente o profissional, que, além de possuir as habilidades próprias da carreira, deve atuar como um intermediário entre o conhecimento científico e o popular.


Conhecimento médico esclarece métodos caseiros para tratamento de doenças.


Rafael Amêndola.


As virtudes medicinais dos chás são de conhecimento milenar, especialmente seus efeitos estimulantes. É uma crença popular que geralmente funciona e é explicada também pela ciência. Suas propriedades terapêuticas e cosméticas, como neutralizar os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento celular precoce, ajudam a prevenir doenças cardíacas e circulatórias, acelerar o metabolismo e queimar gordura corporal; são cada vez mais comprovadas.


Outra doença bastante auto medicável é a febre. “Quando se está com febre, o cérebro manda um comando ordenando que a pessoa se aqueça, pois percebe a sensação de frio”, afirma a médica. Para tratar a febre alta, os métodos caseiros propõem o uso de cobertores e agasalhos para que o ar não faça mal ao enfermo. Na verdade, o que os médicos recomendam é justamente o contrário: deve-se despir, pois o contato com o ar, nesse caso, é benéfico para o corpo.


Levando em consideração as particularidades entre o saber científico do médico e o saber adquirido do paciente, escreva um texto dissertativo abordando a importância da integração desses saberes, com o foco no respeito do profissional às influências do conhecimento popular, crenças e culturas, para a melhoria do bem-estar biopsicossocial do paciente.

Redação Modelo


Pela formação de Pedros Arcanjos

De Asclépio, deus da medicina greco-romana, passando pelas feiticeiras medievais até chegar aos médicos-espíritas contemporâneos, a medicina evoluiu estritamente relacionada ao avanço do saber popular e religioso. Nessa perspectiva, o conhecimento médico se perpetuou como divino, assegurando, àqueles que o detém, poder e status social. Por outro lado, a base e a origem, de todo avanço médico-científico advém do saber popular, sendo assim, a tendência hodierna é justamente o contato dos profissionais de saúde com as crenças e técnicas terapêuticas populares. 

Dos asclepíades da Grécia Antiga (sacerdotes considerados seguidores de Asclépio, detentores do conhecimento médico, o qual era herdado do pai) aos pajés das tribos indígenas (líderes espirituais e da Tribo em si), torna-se perceptível a concepção da medicina como saber divino. Os detentores do saber médico, no decorrer histórico, conseguiram reformular a concepção do conhecimento das ciências médicas de acordo com o tempo e com a sociedade em que se encontravam inseridos. Entretanto, todas as reformulações propostas sempre objetivaram empoderar e garantir status àqueles que já detinham esse poder e não garantindo à medicina a importante condição de estar inserida dentro de um contexto social múltiplo em que ervas, fé e pílulas contribuem para a cura e o conforto.

Na contramão do conservadorismo médico, nos últimos tempos tem surgido e se disseminado algumas técnicas terapêuticas alternativas que se aproximam mais ao saber popular do que ao conhecimento científico em si. Desse modo, da homeopatia, passando pela fitoterapia até chegar à massoterapia, o que se tem observado é que todas essas correntes surgem como uma forma de suprir a necessidade daqueles indivíduos desacreditados do saber puramente técnico-científico que padroniza e protocola patologias ao invés de especificar o olhar. E, em meio a essa dicotomia entre cultura popular e conhecimento científico, o ser pós-moderno encontra-se cada vez mais distante do ponto de equilíbrio.

Jorge Amado já defendia em sua obra Tenda dos Milagres, que no embate entre saber popular e saber médico cada qual tem seu espaço, sendo facultativo a cada indivíduo, inserido em sua cultura, fazer sua escolha. Sob essa ótica, cabe ao Estado, assumindo seu caráter abarcativo e educador, investir na formação de futuros médicos que detenham um olhar voltado para o respeito a diversidade, capaz, assim, de entender e respeitar a importância do saber popular. Seguindo esse raciocínio, teremos mais médicos cientes de que seu papel na sociedade é tal qual o de Pedro Arcanjo, ou seja, configurar-se como o ponto de encontro entre a cultura popular e o saber acadêmico.


Orlando Oliveira