segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Erros do Enem 2012

Errar é humano. Errar muitas vezes é Enem - Diz prof. Mara Rute
Vivo sendo perguntada sobre o que eu acho do Enem. Precisa perguntar? O próprio Enem diz: Um ensaio para a vida. E não é? 
Pena que entre erros e acertos o ensaio do Inep é, para nós, uma decisão definitiva. Não estamos falando de um ano na vida de um aluno. Estamos falando do ano na vida de um jovem que está trilhando o caminho da profissão. E por extensão é também passos definitivos para o Brasil: nação que caminha para o futuro. 
Os erros do Enem são erros da forma como somos: não planejamos, não somos capazes de mensurar a dimensão das coisas, pedimos desculpas e achamos que nossas falhas são normais...
Espelho.
Ensaio. 
Equívoco. 

Alea Jacta Est. 


Leia: 

“Ao contrário do que o Ministério da Educação (MEC) afirma, não foram apenas dois estudantes que tiveram alterada a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O jornal Estado de São Paulo teve acesso a um documento em que o órgão que faz parte do consórcio organizador do exame elenca 129 candidatos que tiveram notas retificadas em função de "erro material". Questionado, o MEC confirmou os casos.
A lista foi entregue à Justiça Federal de São Paulo e consta do processo em que o estudante Michael Cerqueira de Oliveira, de 17 anos, pedia vista da prova. Oliveira teve a nota alterada de "anulada" para 880 --foi o primeiro caso de mudança de nota, colocando em dúvida o sistema de correção da redação do Enem. Na semana passada, o ministério confirmou que outro estudante, desta vez de Belo Horizonte, também teve a nota corrigida.
Os nomes dos dois estudantes constam da lista a que a reportagem teve acesso. O ofício n.º 3.351/2011 é intitulado como "Nova situação de participantes do Enem/2011". No texto, consta que o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/Unb) "informa que, em função do erro material, os participantes do Enem/ 2011 listados abaixo tiveram sua situação ou nota alterada". Na sequência, a lista com os nomes tem três páginas e meia.
O ofício é endereçado ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), braço do MEC responsável pelo exame. O documento é de 30 de dezembro de 2011, antes do primeiro caso de alteração da nota da redação vir à tona.

De acordo com o ministério, as mudanças registradas no documento não vieram depois de ação judicial, com exceção do caso do paulista Michael Cerqueira de Oliveira. Todos seriam casos simples, de problemas de registro ou falhas no scanner. Nenhum caso seria de mudança de avaliação. O MEC não explicou, no entanto, porque insistia até agora que só havia duas alterações em notas por erro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.”

Você já tentou usar sua nota do ENEM para o Prouni?




O Prouni, programa federal que concede bolsas no ensino superior e o inscrito pode concorrer em até duas opções de curso.

A oferta para o primeiro semestre de 2012 é de 195.030 bolsas — 98.728 integrais e 96.302 parciais, de 50% da mensalidade – em 1.321 instituições de ensino superior particulares, entre universidades, centros universitários e faculdades.
O prazo para as inscrições, que neste processo serão realizadas em uma única etapa, será encerrado às 23h59 da próxima quinta-feira, 19. Em seguida, serão realizadas duas chamadas para convocação dos pré-selecionados.
A primeira chamada será divulgada no dia 22 próximo. A partir do dia seguinte, até 1º de fevereiro, o candidato pré-selecionado terá prazo para comparecer à instituição de ensino a fim de apresentar a documentação e providenciar a matrícula. A segunda chamada está prevista para 7 de fevereiro, com prazo para matrícula e comprovação de informações até o dia 15.
(Adaptado de Uol Educação) 
Quer saber o que é o Prouni? Acesse: http://siteprouni.mec.gov.br/

sábado, 14 de janeiro de 2012

Faz muito tempo que não derramo lágrimas. Hoje eu chorei. Quer saber o motivo?




Nesses últimos anos tenho colecionado decepções e sentindo-me meio sem poderes. Isso porque penso que não ensino somente Literatura ou a escrever uma redação para o vestibular - acredito mesmo tocar a vida das pessoas, formar pensamentos....busco tentar mostrar a elas o quanto a sua condição é especial, o quanto somos agraciados com a condição de estarmos alcançando um grau a mais numa nação de muitos ignorantes e desfavorecidos cujos sonhos de vida seria acertar na Mega ou ser selecionado para o BBB.

No entanto, quando eu acompanho a forma como vocês deixam a universidade me entristece - antes disso mesmo, pelos corredores de algumas em que eu passo: desaparecem os jovens simples e aparecem os venais. E aquele esforço todo se transforma em nada.

É perceptível que no final de algumas estradas nos esquecemos dos que carregaram as pedras para que alcançássemos degraus mais altos. E, mais que isso. Esquecemo-nos inclusive daqueles que não podem carregar pedras.

Cheguei mesmo a pensar que há algo na universidade que  tira o senso do que vocês eram ou do preço que pagaram: a concorrência do vestibular, as horas de estudos, as incertezas, as muitas horas de solidão depois de não ver o nome na lista dos aprovados. Depois pensei que na verdade também terminar a faculdade e adentrar a vida de trabalho não é tarefa fácil: como são difíceis os anos em que precisamos lutar para sair daquilo que tanto queríamos! Irônico não?  

Mas, pensando em mim e alguns raros casos isso não se justifica. Eu ainda lembro-me daquela menina de Uruçuca que nem sabia o que era faculdade aos 16. Sempre me lembro da Bolsa de estudos de Árleo, dos conselhos de Luiza para que eu fosse uma professora mais ajuizada, da dupla Naldo e Eliomar para moldar-me como uma professora, de quando eu cheguei em Eunapólis com a mala para casa de Amenaide e a amizade de  Tati e Euzeni. De meus irmãos e seus tempos e construções para que nascessem meu curso, minhas aulas, meus sonhos...

Então hoje, quando eu, surpreendida por ter recebido um convite para conhecer a universidade do Largo de São Francisco  - que povoa meus sonhos de literata e ter percebido que minha aluna Stephane ainda é como eu, chorei. Porque ainda é preciso ter esperança que haja alguns que sabem o motivo de estudar tanto. Seguramente não é para ter um carro melhor, ou a melhor posição. É para lutar pelos que não alcançaram. Não condeno o carro, mas é preciso ver os que andam a pé. E pior. Sem esperança.

Parece engraçado afinal a universidade do Largo de São Francisco está ali. Duas horas? Eu  conheço Sorbonne porque não ir a São Paulo? Nunca fui a São Paulo? Sim, muitas vezes. Do Museu da Língua na Estação da Luz ao templo capital do Shopping Morumbi. Mas  como seria visitar a escola de Castro Alves? Quantos alunos meus já passaram por lá? Mais de 40. Em alguns casos apenas um aluno meu foi aprovado como nordestino. Lindo não? Nem tanto.

Então, não é um pedido para receber um convite para ir à universidade do Largo. Stephane fez. Nem promessas de que me convidarão para a formatura ( rs....vcs sabem como gosto de comida). É o pedido para que vocês, parafraseando Jorge Araújo, não percam o óbulo de sua sensibilidade e nunca se esqueçam do porquê chegaram.

Spartakus não deixe que o Rio o faça esquecer-se do seu primeiro vídeo na quadra do Sistema que o ajudou a ter de que Direito não era sua vocação. Micaiil não se esqueça de que a UESB e o primeiro lugar tinham que ser seu. Fernanda, Gabriel, Lorena....e a lista é imensa. Quero que todos. Antes de começar as aulas pensem no motivo. Eu tenho um caderninho velho de 1996 e de vez em quanto  eu volto a ele e vou construindo novos laços que justificam cada degrau que subo.  Essa foto também está a esse serviço. Para que eu não me esqueça do  porquê vim e para quem eu devo lutar. Obrigada Stephane por não me deixar esquecer que vale a pena.

Vou reproduzir o texto das lágrimas.  O mal que como ela agora é advogada pode me processar. Alguém me defenda. Aliás, não preciso: é por uma causa maior.

Oi, Mara!



Não fique triste com o que aconteceu. Sinta-se feliz, porque você é uma das pessoas inesquecíveis que fizeram parte da minha constituição como pessoa. Graças a pessoas como você mais uma etapa da minha vida foi cumprida.

Fazendo parte desses 5%, com certeza não me esquecerei dos outros 95%. Por aqui tive cinco anos convivendo com as desigualdades, inclusive daquelas pessoas que dormem na porta da Faculdade todos os dias em relação a outras que lá estudam e adentram. No primeiro ano do curso tirei uma foto para não esquecer.

 (supressão de texto)



Stéphane.





Em 12 de janeiro de 2012 15:55, Mara Rute Lima <mararutelima@hotmail.com> escreveu:

Tristeza e alegria é a forma para responder a esse e-mail.
Triste porque tive problemas para acesso a meu email durante alguns dias e em meio a maré de emails o seu se perdeu. Só hoje fazendo a triagem é que tive a graça de poder ler e agradecer.
Nossa como foi bom ser lembrada e ter feito parte de sua história!!!!
Lembre-se você é uma vencedora. Não é fácil pertencer a menos de 5% da população brasileira que chega a universidade e, mais ainda, que tem a chance de dizer. Eu sou do Largo de São Francisco.
Tudo de bom.

(supressão de texto)

Mara Rute




quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Revisão de Prova da UESC. O Mínimo é isso.


Estudantes itabunenses exigirão revisão de provas da UESC
Por: Radar Notícias - Data: 12/01/2012 - 15:49:44
Foto: Jonildo Glória
Foto: Jonildo Glória
Um grupo de estudantes que prestaram vestibular no último fim de semana para a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) pretende procurar a reitoria da universidade e a Justiça para solicitar a revisão das provas e a possível anulação de questões. Segundo os estudantes, as provas continham questões com conteúdo que não estava no edital e até mesmo com respostas incorretas.

Uma das candidatas conta que a questão 29 da prova de Geografia do caderno azul possui em seu gabarito a resposta errada marcada como correta. Além disso, ela explica que algumas questões possuem mais de uma alternativa certa. O último dia para pedir a revisão das provas é nesta sexta-feira (13).

Notícia no: www.radarnoticias.com
Não deixem de questionar também a ausência das obras uma vez que era leitura obrigatória. 


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A prova da UESC é uma vergonha?



Antes de mais nada queria que vocês refletissem sobre esse poema:
A caminho com Maiakovski
(Bertolt Brecht)
Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim: não dizemos nada.
Na segunda, já não se escondem. Pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

A prova produzida pela AOCP  é o arrancar da voz de nossa garganta. Quero saber se vocês ficarão mudos.
Tudo começou quando a prova da UESC do ano passado  trazia explicitamente um erro na questão aberta. Eu fui,  no dia seguinte,  à revisão de véspera e conversei com vocês. Entrei com recurso e pasmem: Nenhum de vocês se importaram:
Depois  saiu no Estado de São Paulo sobre outra questão:
E o que aconteceu? Nada.
Então veio o calendário falta de respeito 2011:
Enem assumido como alternativa em cima da hora. Quem foi lá na reunião do Consepe? Eu e Dorival Filho. Eu falei, mas quantos alunos estavam lá? Os universitários brigando para garantir suas refeições. Vocês não foram lá brigar por suas vagas.
Enem nacional é uma piada – Prova que vaza, correção questionada. E não houve nenhuma. Nenhuma paralização de nossa parte.
Uesc muda empresa com menos de 60 dias para processo sem anúncio ou explicação oficial -  O que fizemos a respeito? Nada. Afinal ela pode. É licitação não é mesmo?
Se ela pode então recebam : Uma prova de literatura que explicitamente desrespeita a proposta de leitura da universidade. Questões abertas que me permitam – nem preciso pedir permissão. Alguém aqui dúvida de minha competência? 100 mil acessos de leitores, 3 mil alunos e o que?  E a metade da UESC formada por alunos meus?  - Uma vergonha.
E prova de história? E a prova de física?
A questão é: Você têm 24 horas para entrarem com recursos. Farão? Ou vão comentar e curtir no face numa revolta virtual.
Não sei.
Mas precisava dizer que a minha parte é feita. Mas não sou eu quem desisto da luta. Só não acredito em revolução de uma só bandeira. O que vocês quiserem eu quero.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Foi uma honra....

Queria agradecer a todos que depositaram fé no nosso trabalho.  Não há mais conteúdo a ser ensinado, mas essa também é uma plataforma da nossa fé. Deixamos a nossa para você hoje.
Mara Rute Lima

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Papéis Avulsos - Machado de Assis - Questões



Para ADVERTÊNCIA
 
Este título de Papéis avulsos parece negar ao livro uma certa unidade; faz crer que o autor coligiu vários escritos de ordem diversa para o fim de os não perder ... Avulsos são eles, mas não vieram para aqui como passageiros, que acertam de entrar na mesma hospedaria. São pessoas de uma só família, que a obrigação do pai fez sentar à mesma mesa.
1. Machado, já na abertura de Papéis Avulsos afirma que os contos estão ligados, em certa medida. Escolha então uma temática que aparece em mais de duas histórias e explique  como o autor trabalha tal assunto no livro. 

Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas,-- únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.
2. No conto o Alienista é possível perceber uma visão de relacionamento baseada na ciência. De que maneira o trecho acima deixa antever isso.
A caridade, Sr. Soares, entra decerto no meu procedimento, mas entra como tempero, como o sal das coisas, que é assim que interpreto o dito de São Paulo aos Coríntios: "Se eu conhecer quanto se pode saber, e não tiver caridade, não sou nada". O principal nesta minha obra da Casa Verde é estudar profundamente a loucura, os seus diversos graus, classificar-lhe os casos, descobrir enfim a causa do fenômeno e o remédio universal. Este é o mistério do meu coração. Creio que com isto presto um bom serviço à humanidade.

3. O trecho acima nos permite afirmar que comportamento tem Machado da  alma humana representada  na  figura  de  Simeão Bacamarte?


Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco além dele em Itaguaí mas esta opinião fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes. que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade.
4. Comente o desfecho do conto O Alienista  tomando  como base  a temática  da loucura apresentada  pelo autor.

No conto Teoria do medalhão, Machado de Assis coloca em cena um pai que orienta o filho para que este se torne, com aplicação e método, um “medalhão”, isto é, uma figura “importante” e reconhecida por todos. Eis um trecho dessa orientação:
Podes pertencer a qualquer partido, liberal ou conservador, republicano ou ultramontano, com a cláusula única de não ligar nenhuma idéia especial a esses vocábulos (...)
Se for ao parlamento, posso ocupar a tribuna?
Podes e deves; é um modo de convocar a atenção pública. (Machado de Assis – Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. v. II, p. 294)
5. Pelo fato de se tratar de um texto no qual predomina a exposição de idéias, tal como o ilustra o trecho acima, é correto afirmar que o conto “Teoria do medalhão” não privilegia o discurso propriamente narrativo, mas é constituído de uma conversa entre personagens. Tomando como base a figura do pai o que se pode afirmar de sua personalidade e sua teoria?

Trecho I
O senhor é acusado de ter subtraído uma chinela turca. Aparentemente não vale nada ou vale pouco a tal chinela. Mas há chinela e chinela. Tudo depende das circunstâncias.
Trecho II
Duarte acompanhou o major até à porta, respirou ainda uma vez, apalpou-se, foi até à janela. Ignora-se o que pensou durante os primeiros minutos; mas, a cabo de um quarto de hora, eis o que ele dizia consigo: - Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco.
6. Com base na leitura da história A chinela Turca  comente os  trechos acima:

25. - E alçando os olhos ao céu, porque a portinhola do teto estava levantada, bradou com tristeza:
26. - "Eles ainda não possuem a terra e já estão brigando por causa dos limites. O que será quando vierem a Turquia e a Rússia?"
27. - E nenhum dos filhos de Noé pôde entender esta palavra de seu pai.
28. - A arca, porém, continuava a boiar sobre as águas do abismo.
7. Analise  a  fala de Noé proposta em negrito.

8. Assinale a alternativa em que o trecho, retirado de “O alienista, Papéis avulsos, NÃO apresenta o recurso da intertextualidade.
A) Fê-lo Catão, é verdade, sed victa Catoni, pensava ele, relembrando algumas palestras habituais do padre Lopes; mas Catão não se atou a uma causa vencida [...]
B) E vão assim as cousas humanas! No meio de regozijo produzido pelo ofício de Simão Bacamarte, ninguém advertia na frase final do § 4o, uma frase cheia de experiências futuras.
C) Os cronistas pensam que deste fato é que nasceu o nosso adágio: — ladrão que furta a ladrão, tem cem anos de perdão; — adágio imoral, é verdade, mas grandemente útil.
D) Não se demorou o alienista em receber o barbeiro; declarou-lhe que não tinha meios de resistir, e portanto estava prestes a obedecer.


D. Benedita ficou aterrada, sem poder, mexer-se; mas ainda teve a força de perguntar à figura quem era. A figura achou um princípio de riso, mas perdeu-o logo; depois respondeu que era a fada que presidira ao nascimento de D. Benedita: Meu nome é Veleidade, concluiu; e, como um suspiro, dispersou-se na noite e no silêncio.
9. Comente  a personalidade de D. Benedita tomando como ponto de referência o fato de  sua fada ser a veleidade.

Narrado em 1ª pessoa, tendo como subtítulo "Capítulo inédito de Fernão Mendes Pinto", o conto O segredo do Bonzo surge da narração de um fato absurdo, mas que possui um profundo sentido: a virtude e o saber tem duas existências paralelas: uma no sujeito possuidor; outra, no espírito de quem ouve ou contempla, pois "não há espetáculo sem espectador". A moral do conto é: "a essência é a aparência".
Observe o trecho abaixo retirado do conto:
“Considerei o caso, e entendi que, se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente.”
10. Relacione o pensamento acima ao conto A Teoria do Medalhão.

11. Assinale a alternativa CORRETA relativamente ao conto “O segredo do bonzo”.
A) Trata-se de um capítulo inédito do livro das peregrinações de Fernão Mendes Pinto.
B) Seu narrador mostra como o princípio da vida futura se associa à origem dos insetos.
C) A troca do órgão doente por um nariz metafísico zomba das certezas filosóficas.
D) As preces secretas do bonzo provam que a realidade é sempre superior à opinião.

Leia estes trechos:
TRECHO 1
“Tinham batido quatro horas no cartório do tabelião Vaz Nunes, à Rua do Rosário. Os escreventes deram ainda as últimas penadas: depois limparam as penas de ganso na ponta de seda preta que pendia da gaveta ao lado; fecharam as gavetas, concertaram os papéis, arrumaram os autos e os livros, lavaram as mãos; alguns, que mudavam de paletó à entrada, despiram o do trabalho e enfiaram o da rua; todos saíram. Vaz Nunes ficou só.”
MACHADO DE ASSIS, J.M. O empréstimo. In: Papéis avulsos. São Paulo: Martin Claret, 2007. p.120-121.
TRECHO 2
“Um dia, andando a passeio com Diogo Meireles, nesta mesma cidade Fuchéu, naquele ano de 1552, sucedeu deparar-se-nos um ajuntamento de povo, à esquina de uma rua, em torno a um homem da terra, que discorria com grande abundância de gestos e vozes. O povo, segundo o esmo mais baixo, seria passante de cem pessoas, varões somente, e todos embasbacados.”
MACHADO DE ASSIS, J.M. O segredo do bonzo. In: Papéis avulsos. São Paulo: Martin Claret, 2007. p.102
Questão 12 - UFMG
REDIJA um parágrafo, caracterizando a posição do narrador em relação ao acontecimento narrado em cada um desses trechos.

Trecho I
Nem eu; mas aqui vai o que me disse o Xavier. Polícrates governava a ilha de Samos. Era o rei mais feliz da terra; tão feliz, que começou a recear alguma viravolta da Fortuna, e, para aplacá-la antecipadamente, determinou fazer um grande sacrifício: deitar ao mar o anel precioso que, segundo alguns, lhe servia de sinete. Assim fez; mas a Fortuna andava tão apostada em cumulá-lo de obséquios, que o anel foi engulido por um peixe, o peixe pescado e mandado para a cozinha do rei, que assim voltou à posse do anel. Não afirmo nada a respeito desta anedota; foi ele quem me contou, citando Plínio, citando...
Trecho II
Cerca de três semanas depois, o Xavier jantava pacificamente no Leão de Ouro ou no Globo, não me lembro bem, e ouviu de outra mesa a mesma frase sua, talvez com a troca de um adjetivo. "Meu pobre anel, disse ele, eis-te enfim no peixe de Polícrates."
13.  Com base na história de Polícrates explique a o excerto II.

14. Assinale a alternativa CORRETA relativamente ao conto “O empréstimo”, de Papéis avulsos.
A) Narra a derrota sofrida pelo narrador, ao confrontar-se com um juiz de paz.
B) Aborda o sofrimento de Sêneca e Balzac frente à desvalorização de sua obra.
C) Revela a postura vitoriosa de Custódio, ao receber o obséquio do tabelião.
D) Mostra como as ambições são formas de negar os direitos individuais.

15. Relacione o Conto a Sereníssima República  com o Historieta de  uma República  de Sérgio Santanna.
16. Assinale a alternativa em que o trecho citado NÃO retrata o dilema principal do conto “O espelho”.
A) O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra.
B) Era um espelho que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição.
C) Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e... não lhes digo nada: o vidro reproduziu então a figura integral [...]
D) O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade.

O espelho é um tema sedutor para a literatura, sendo trabalhado pelos mais diversos autores. Leia os textos e analise as proposições a seguir.
Espelho, de Duane Michals
Texto I
Olhei o espelho e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra. Então tive medo; atribuí o fenômeno à excitação nervosa em que andava; receei ficar mais tempo e enlouquecer. Subitamente por uma inspiração inexplicável, lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e... não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior.(Machado de Assis, O espelho)

Texto II
- Então, disse Dumbledore, você descobriu os prazeres do Espelho de Ojesed. Mas espero que tenha percebido o que ele faz?
– Bom, ele mostra a minha família, respondeu Harry.
– E mostrou seu amigo Rony como chefe dos monitores, disse Dumbledore, perguntando:
 - Você pode concluir o que é que esse espelho mostra a nós todos? Harry sacudiu negativamente a cabeça.
 – Ele nos mostra nada mais nada menos do que o desejo mais íntimo, mais desesperado de nossos corações. Só o homem mais feliz do mundo poderia usar o Espelho de Ojesed como um espelho normal, ou seja, ele olharia e se veria exatamente como é. (J.K.Rowling, Harry Potter e a Pedra Filosofal)

17. Sobre os textos acima assinale a alternativa incorreta:
a) Pode-se dizer que o espelho do conto de Machado funciona como o “Espelho de Ojesed” do livro de Rowling, ao refletir o desejo mais íntimo do personagem que nele se contempla.
b) Os espelhos nessas obras revelam que tanto o personagem de Machado, ao se reconhecer na farda de um “alferes”, quanto Rony, ao se reconhecer como “chefe dos monitores”, dão mais valor aos cargos do que a si mesmos.
c) Pelo exposto em ambos os textos, deduz-se que os personagens dessas histórias são as pessoas mais felizes do mundo.
d) Baseando-se na verossimilhança entre o real e o ficcional, o Realismo procurava apresentar a literatura como um espelho da realidade.
e) No conto O espelho, Machado de Assis rompe com alguns princípios da escola realista quando evoca o universo da fantasia.
Trecho
Obedeci; fui dali ao cabide, despendurei o chapéu, e pu-lo na cabeça. Alcibíades olhou para mim, cambaleou e caiu. Corri ao ilustre ateniense, para levantá-lo, mas (com dor o digo) era tarde; estava morto, morto pela segunda vez.

18. Explique o sentido do trecho em negrito retirado do conto Uma visita de Alcebíades.

TrechoI
Nicolau amava em geral as naturezas subalternas, como os doentes amam a droga que lhes restitui a saúde; acariciava-as paternalmente, dava-lhes o louvor abundante e cordial, emprestava-lhes dinheiro, distribuía-lhes mimos, abria-lhes a alma...
TrechoII
- Joaquim Soares? bradou atônito o cunhado, ao saber da verba testamentária do defunto, ordenando que o caixão fosse fabricado por aquele industrial. Mas os caixões desse sujeito não prestam para nada, e...
19. Considerando o mal a que Nicolau foi cometido explique esses trechos acima.