domingo, 25 de fevereiro de 2018

Jonas e o circo sem lona


REVISÃO UESB 2018

Jonas e o Circo sem Lona

O peso do desafio é nessa reta final conseguir colocar em uma página o que você precisa saber sobre. Jonas e o Circo sem Lona. Mas se quem nos ilumina é Deus ele pode nos dá essa percepção não é mesmo?



1. É impossível não lembrar de Eduardo Galeano ao findar a história de Jonas e pensar que – o sonho ajuda o homem a avançar. Na infância os sonhos nos movem. Mas, e as infâncias roubadas? 

2. A UESB em sua lista sempre contempla filmes em protagonizados por crianças

A cor do Paraíso/ Capitães da Areia/ A beira do caminho/ Infância Clandestina/ Mutum e a lista é incontável.



Alguns inspiraram tema de redação como foi em 2012.2 A cor do Paraíso.





PROPOSTA de 2012.2

A partir da temática abordada no filme “A Cor do Paraíso”, do qual se destacam os fragmentos citados, e com base nas ideias de “Estratégias para a promoção dos direitos das pessoas portadoras de deficiência”, produza um texto dissertativo-argumentativo em que você discuta o tema:

O tratamento que a sociedade dispensa às pessoas portadoras de necessidades especiais.





3. O filme é uma narrativa simples e traz questões temáticas já cobradas em outras obras fílmicas como educação – Tema dedicado ao documentário Pro dia nascer Feliz de 2011 que contava o dia a dia da educação de jovens de distintas classes sociais no Brasil.

4. Os filmes inspiram questões na prova de literatura, na prova de ciências humanas e, pode pesar como tema de redação. Se Jonas fosse tema de redação quais aproveitamentos você poderia fazer do filme para usar na redação? Pense nisto?

5. Lembre-se que o que se espera da sua leitura de cinema não é domínio técnico da produção, mas a temática que se discute no filme.

6 -  A interferência da documentarista é um ato muito inovador. Ela interfere no rumo da vida da personagem não apenas   conta a história. Além disso aparece no final da narrativa consolando Jonas.

7 - Você gosta mais de fazer o circo ou de estudar? Essa é uma pergunta pertinente na narrativa. O tema escola e educação é recorrente na UESB e, nesse caso, a escola aparece personificada na diretora que poda a arte/ que rotula o aluno e entende a escola como espaço que não tem espaço para arte. Questão que a UESB sempre discute.

8 – No gerenciamento do circo se vê os ensaios –  executam o que sabem (Michael Jackson – as estripulias) e a divulgação e tentativa de trazer pessoas para o circo, além da dificuldade do engajamento de outros jovens que tem compromissos familiares/ a falta do conhecimento técnico dos meninos e demais vivências de um grupo sem oportunidades sociais. O que se evidencia é a lacuna do Estado em garantir que esses jovens sejam moldados pela arte como perspectiva de vida.

9. Como a Maioridade Penal aparece no filme?  

Lembre-se que essa discussão feita no filme do ano passado Sem Pena – reaparece aqui do mesmo modo. O Estado busca punir àqueles que deveria cuidar.  

10. A mãe é uma mulher a ser observada na obra.

 Aspectos a serem vistos:  o medo da violência/ o medo de acidente de carro nas estradas do circo – carro já havia capotado com Jonas quando ele era bebê.

Um aspecto importante é que a mãe não considera circo um coisa ruim. Ela diz: “circo é bom circo não é ruim não. Se eu dizer que circo é ruim eu tô mentindo.

11. Lembre-se também que o filme espelha a desigualdade e falta de oportunidade da cidade de Salvador.

12. Outra questão: A visão que Jonas tem da escola e a visão que a escola tem de Jonas. Essa visão é deveras importante se você quiser entender as denúncias sobre a visão da escola explicitamente feitas no filme.

Uma cena que ilustra bem essa percepção é a visão de Jonas da aula de história.

A professora diz: “pra mim história é falar do presente do passado e do futuro. Enquanto isso, Jonas desenha uma história em quadrinhos de circo.

E depois diz para mãe: “vai valer o quê saber do Faraó que morreu já tem milhões de anos?

A mãe responde:

- Não importa você tem que saber.....

E então a escola continua sendo um lugar onde se ensina o que não se quer aprender e a mesma não abre espaço para que os alunos entendam a importância dela.

13. A figura da professora é importante – as ameaças “se eu pegar alguém escrevendo na parede essa pessoa vai limpar a parede toda da sala”; ameaças com a “avaliação processual”.

E, o mais gritante:

Por que não pode ser outro aluno?



Para Jonas é mesmo SEM SAÍDA entendeu?

A mãe não acredita e a escola também não. As redes de proteção dessa criança não existem!!!!

- Professora: Aluno que não gosta de escola. Aluno que vem para escola filar aula nunca foi referência nem vai ser. Você acha que vai?

E por que tem que ser ele não pode ser outro aluno?

De onde você o conhece ?

Diretora do filme: Quando eu estou aqui eu vejo uma postura dele. Então quando a gente sai é diferente?

Professora: Completamente. Vocês saem e em seguida ele sai da sala. Ele finge que estuda na frente de vocês. Quando vocês se retiram ele não tem nenhum compromisso. E isso me incomoda. Isso pra mim não é referencial pra ninguém. Porque eu vejo a escola como local de aprendizagem e não lugar de brincadeira. De desleixo. E ele é um menino exatamente assim. E ele sabe disto. Já conversei diversas vezes. Então, eu não concordo com esse documentário que vocês estão fazendo. Simplesmente isso. Desculpa se eu fui grossa com você, mas é por aí. Tô sendo justa comigo primeiramente[1].







14. O filme é sobre tentativa de fazer arte da mesma maneira que o circo é para Jonas. A voz diz: “você pra fazer o circo tem que juntar seus amigos? A gente pra fazer o filme também tem que juntar nossos amigos.”

15. Jonas diz que sem o circo é como ele receber uma facada no coração, mas lembre-se que o filme se realiza e é premiado. O circo não.

16.  A CENA POSTERIOR É A DE EXTREMA TRISTEZA DE JONAS.....

Ele diz que o filme não vai ficar muito bom, por que não tem mais circo para filmar.

A diretora pergunta:

– Se ficar ruim?

Jonas diz:

 – Se ficar ruim eu vou ficar com vergonha[2]. Porque vocês tinham milhões de coisas pra fazer e vieram fazer um filme sobre meu circo que não existe mais.

17. Acho importante ressaltar a questão do tio e da mãe para legitimarmos a preocupação da mãe em impedir Jonas do circo como parte de sua responsabilidade em criá-lo numa situação de vulnerabilidade social.

O tio diz:

- Eu sou tio tô aí pra apoiar......

-A mãe pergunta:

 – Jonas vindo pra cá vai dormir aonde? Vai comer aonde? Quem vai cuidar dele?

 Não tem resposta aos seus questionamentos no filme.  

18. E o fim do discurso da mãe é sua certeza sobre o fim do circo. Possivelmente ela recebeu a pergunta da diretora sobre como Jonas vai ficar perdendo o circo. Eis sua resposta:

- Tudo vai se acostumando né? Jonas é que não acostuma. Eu não sei até que momento que eu vou segurar ele aqui...

Entanto eu puder. Foco nos estudos e a gente vai tocando a vida....

Impossível não lembrar da canção.... ANDO DEVAGAR PORQUE JÁ TIVE PRESSA......

19. Jonas termina dizendo que tá com vergonha. Todos foram embora ele ficou sozinho.

A mão da diretora que afaga o menino e o consola com a frase que arrebata todos os que assistiram:

Não é o fim do seu filme. É o fim desse filme.



Já para vocês minha pergunta é:



O que você vai fazer com essa história?

Uma questão da prova ou uma questão da  vida?



















[1] Claro que para esse trecho não tenho comentários. Exceto da coragem da diretora de nos permitir ver, sem efeitos ou cortes a visão que tem a escola que forma nosso futuro.
[2] Jonas quem deve ter vergonha é o Brasil por não te dar a chance de realizar seus sonhos.

O escândalo do Petróleo - Monteiro Lobato


REVISÃO UESB 2018

O Escândalo do Petróleo – Monteiro Lobato


1.       O brasileiro é uma espécie de criança tonta[1], que realmente só se interessa por jogo, farra, Carnavais e anedotas fesceninas. Sabem que o Brasil não dá a mínima importância ao estudo, havendo até inventado um "sistema de aprender" totalmente novo no mundo: ciência por decreto. Por causa dumas gripes, os meninos que não puderam estudar as matérias do curso — física, geometria, química ou o que fosse — receberam autorização para "requerer exames", isto é, pedir que o Governo atestasse que eles sabiam as ciências não estudadas...

2.       O brasileiro impressiona-se profundamente com o que não entende. "Economia dirigida", por exemplo. Ninguém entende isso — e por isso mesmo a "economia dirigida" do Ministério da Agricultura vai fazendo carreira.

3.       Enquanto nossos vizinhos extraem petróleo. Nós jogamos no bicho[2].

4.       Até os bois sabem disso[3], pois se recusam a beber certas águas, dizendo com os seus grandes olhos: "Isto é óleo". Os bois mato-grossenses sabem do petróleo do Xaraés.

5.       Por que, dos dois maiores países da América, descobertos no mesmo ciclo, povoados com os mesmos elementos (europeu, índio e negro), libertados politicamente quase na mesma época, com territórios equivalentes, um se tornou o mais rico e poderoso do mundo e o outro permanece atrofiado[4]?

6.       Um banho do brasileiro é pago em ouro ao país que lhe fornece o carvão donde sai o gás do aquecedor. Um bife, um ovo frito que coma nas capitais, custa ao país a emigração duma certa quantidade de ouro em troca do calor gasto pela cozinheira. Uma simples corrida de auto determina uma sangria de ouro em troca da gasolina que o carro queima. Daí o não enriquecimento. Os atos mais elementares da vida, os que todos os dias se repetem, ele os paga em ouro[5].

7.       Esse entrevamento virá mais depressa do que os próprios pessimistas imaginam, se não surgir um estadista de visão larga que veja claro no problema e o solucione[6].

8.       No dia em que o Brasil se convencer de que a sua fraqueza decorre da falta da eficiência do homem que o habita, e ponderar que o crescimento dessa eficiência só pode vir com a produção do ferro (matéria-prima da máquina) e do petróleo (a fonte de energia mecânica que move a máquina), o PRIMEIRO PASSO para a sua definitiva restauração econômica e financeira estará dado.

9.       É fácil influenciar gente gorda, porque o gordo tem banhas a perder. O alagoano é magrinho, seco, enrijado pelo sol terrível do Nordeste. O alagoano é florianesco. O Ministério teve de recuar....Bendita sejas tu, ó sadia magreza alagoana!

10.   Nada tem feito tanto mal ao nosso país como a tendência para resolver problemas só pelo lado teórico, com desprezo absoluto do lado prático. Na fatura de certas leis, o nosso legislador parte duns tantos pontos de vista abstratos, esquecendo-se de levar em conta o meio, a gente, as condições locais especialíssimas, o momento — isto é, as realidades iniludíveis. Daí o partejamento de monstruosidades dignas de museus teratológicos — leis inaplicáveis, leis que tudo entravam, leis paralisantes de todas as iniciativas, leis que desgraçam esta pobre terra, embaraçando lhe, impedindo-lhe o desenvolvimento econômico.

11.   O que somos e o que precisamos ser[7] - O Brasil tem vivido cocainizado por uma ilusão — a de ter-se como um paraíso terreal, um país riquíssimo, invejado pelos outros povos. Nem a bancarrota do Estado, nem o nosso mal-estar perpétuo, nem a penúria chinesa do que chamamos a classe baixa (isto é, oitenta por cento da população do país), nem a miséria intensíssima observável até nas capitais quando deixamos as avenidas e os bairros privilegiados, nada de tão terrível realidade arranca o brasileiro à mentira crônica em que se encoscorou. Em todas as estatísticas de produção, de comércio, de riqueza nacional, de cultura etc., o lugar do Brasil é entre os mais baixos da escala.

12.   Vem de que abrem anualmente mais de vinte mil poços por onde esguicha o sangue da terra, o maravilhoso líquido que se transforma em energia mecânica e move os milhões de toneladas de ferro transfeito em máquinas aumentadoras da eficiência do homem enquanto nós abrimos anualmente vinte mil casas de loteria e bicho.

13.   Sabotagem ou omissão, inércia ou falsidade, negativismo ou Código de Minas, burocracia petrolífera ou perfurações epidérmicas, toda essa profusa sinonímia, na copiosa variedade de suas formas, tudo vem sendo a mesma obra do Proteu federal: "não tirar petróleo e não deixar que alguém o tire...[8]".

14.   Qui prodest[9]? Na investigação dum crime o primeiro passo dos criminologistas é estudar a quem o crime aproveita. QUI PRODEST? — A QUEM APROVEITA? Pois bem: não há um só ato do CONSELHO que, próxima ou remotamente, não aproveite ao polvo Standard Oil — e só a ele...

15.   A NÃO EXISTÊNCIA DE JAZIDAS PETROLÍFERAS NO LOBATO... ESTÁ PROVADA À SACIEDADE A INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS PETROLÍFEROS NO LUGAR DENOMINADO LOBATO, NA BAHIA[10].

16.   Que cumpre fazer[11] -  O que cumpre é fazer exatamente o contrário do que está sendo feito.

17.   O destino das nações depende muitas vezes da atuação dum homem que enxerga mais longe que os outros[12]. Doutor Getúlio: faça do caso do petróleo, como eu o exponho aqui, ponto do seu programa, objetivo de sua vida e desse modo trabalhará para o Brasil dum modo infinitamente mais profícuo do que apenas regulamentando o que existe. O que existe é tão pouco, que não há regulamentação nenhuma que adiante. Sem riqueza real um povo apodrece.

18.   A vista do exposto é de concluir-se que José Bento Monteiro Lobato, qualificado à folha 309, está incurso no artigo 30 inciso 25, do decreto-lei n. 431, de 18 de maio de 1938, sujeito à pena de seis meses a dois anos de prisão"[13].

19.   Entre as cartas apreendidas em meu escritório havia duas de estrangeiros: uma dum engenheiro uruguaio meu amigo, que me felicitava pela publicação do Poço do Visconde, obra na qual um sabuguinho científico descobre petróleo no sítio de Dona Benta, e a outra... era um cartão de Merry Christmas, recebido de Nova York. O general evidentemente examinou o cartão e concluiu que o tal Merry Christmas estava me escrevendo em código e devia ser um perigosíssimo petroleiro internacional[14]...

20.   Raciocínio sui generis[15].

21.   Mas a diferença da sorte de ambos mostra que ainda não somos, moralmente, um país. Somos um ajuntamento de aventureiros e de dirigentes profundamente desonestos[16].

22.   A economia humana é em linhas gerais muito simples[17]: uns produzem — outros transportam e lidam com os produtos — todos consomem. E o ideal é que todos possam consumir e a produção nunca seja maior nem menor que o consumo. Mas na Ordem Social vigente o jogo financeiro na passagem do produto das mãos do produtor para as do consumidor faz que apesar da superprodução milhões de criaturas humanas vivam no regime do subconsumo e até morram de fome. E de tal modo a pulsação econômica do mundo se foi perturbando com a hipertrofia do jogo financeiro, que chegamos ao absurdo impasse duma ordem social que só pode subsistir por meio da destruição cada vez maior de vidas em guerras mundiais periódicas e da destruição igualmente monstruosa de produtos de alimentação na paz. Do impasse veio o dilema: ou o mundo destrói essa forma cancerosa de capitalismo, como fez a Rússia, ou essa forma de capitalismo destrói a humanidade. Que capitalismo? O anônimo, internacional, controlador dos governos fracos e o verdadeiro promotor das guerras entre os governos fortes.

23.   A solução do enigma é uma só: o nosso governo não tem coragem de antepor o bem público, as verdadeiras necessidades do país, a felicidade e a prosperidade de 45[18] milhões de pobres--diabos coloniais que somos, aos interesses dos grupos financeiros daqui, ligados ao Capitalismo Anônimo Internacional que paira sobre o mundo como tremendo Pássaro Roca controlador dos governos fracos e promotor de guerras entre os governos fortes. Tanto dentro da forma democrática como dentro de qualquer forma de ditadura, os governos dos países fracos não passam de bonecos nas mãos do Poder Oculto do Capitalismo Internacional Anônimo — do qual até agora só um país se salvou: a Rússia. Esta é a verdade que ninguém se anima a dizer.

                                                                                                     Diário de São Paulo, 1935.



[1] Essa é uma visão recorrente em toda obra: a de propor que o povo brasileiro é atrasado e facilmente manipulável. Cabe um tema de redação com o uso de Roberto da Matta – visão do Brasil. Cabe também a ideia de Macunaíma de Mário de Andrade ou do próprio Monteiro Lobato de Jeca-Tatu.
[2] Excelente citação para usar numa redação. E, como bem lembrou o escritor Monteiro Lobato: enquanto outras nações lutam pelo progresso nós jogamos no bicho.
[3] Escolhi esse trecho para ressaltar um aspecto importante do livro: a linguagem informal utilizada em algumas construções do texto e para tratar do cerne do livro – dizer que a petróleo era uma evidência no Brasil, no entanto, o governo não tirava nem permitia tirá-lo. Uma substancial parte da vida Monteiro Lobato foi tentando empreender essa causa, mas por conta disto, foi preso e perseguido. 
[4] Questão comparativa que aparece algumas vezes no livro. Vale a pena a reflexão.
[5] Explicação sobre a falta de enriquecimento do Brasil. Vende suas riquezas primárias e suas fontes de energia.
[6] Em vários momentos do livro, inclusive quando escreve diretamente para Getúlio Vargas. Ele trata da importância de um líder para que o Brasil deixe de ser um país subdesenvolvido.
[7] Título fantástico para redação não é mesmo? E esse trecho? Digno de ser adaptado para sua dissertação.
[8] Essa é uma visão de Monteiro Lobato que se repete em muitos outros momentos da obra. A frase que sintetiza sua visão sobre a política nacional referente ao petróleo.
[9] Frase latina para ser utilizada como título de redação.
[10] Se cair na prova de história essa seria uma boa pergunta.
[11] Excelente título de redação e perfeita finalização de texto.
[12] Uau!!!! Frase utilizada na carta que se dirige ao presidente.
[13] Essa foi a resposta a carta. Ele foi preso. Mas aqui ressalto que se trata do segundo livro que trabalha carta no cerne da obra. E se a UESB cobrar carta para o presidente ou para Monteiro Lobato você saberá fazer?
[14] Escolhi esse trecho para mostrar o “tom irônico” utilizado em quase toda obra por Monteiro Lobato.
[15] Raciocínio único em seu gênero – Excelente título, não é?
[16] Como não dizer: portanto, parafraseando Monteiro Lobato, somos moralmente.....
[17] Leia esse trecho com cuidado. Pode estar em sua prova de humanas.
[18] Agora somos 200 milhões.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

UESB - A Audácia dessa mulher - Aula da Prof. Mara Rute







Para acompanhar a aula acesse a apostila de textos e de questões.


https://files.acrobat.com/a/preview/1bca46f8-5c85-4dab-b596-ae50d39b556b

https://files.acrobat.com/a/preview/73ef2f67-13bf-4cf7-9449-9bdfc770443d



A aula de vídeo completa você pode acessar em nossa plataforma Vimeo

www.vimeo.com/mararute



Boa Prova!



Dedique cada segundo para sua vitória final!!!!



Essas aulas são gratuitas, mas em breve você poderá participar do curso on-line da professora Mara Rute.




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

UESB - A audácia dessa mulher


A Audácia dessa Mulher – Ana Maria Machado
 por Mara Rute Lima 

Pela primeira vez, a UESB escolhe Ana Maria Machado para figurar entre as leituras obrigatórias do seu processo seletivo. O prazer de trabalhar com a obra dessa escritora que tanto admiro não tem preço. Ela, conterrânea de Machado de Assis, uma das primeiras mulheres a dirigir a Academia Brasileira de Letras e traduzida para 20 países, famosa por livros infantis escreveu mais de cem livros, que venderam acima de 18 milhões de exemplares.

Essa é a minha terceira leitura desta obra. Tenho o grave defeito de não conseguir explicar um livro por ecos de leituras passadas. Portanto, a cada lista de livros obrigatória o ritual é sempre o mesmo: compro a obra, leio, marco novamente e, às vezes, comparo minhas anotações com anotações anteriores. Mas dessa vez a tarefa é nova: é a primeira vez que transcrevo Ana Maria para um vestibular e foi um prazer enorme ter apresentado essa escritora para vocês, sobretudo pela leveza de sua escrita, por suas intercomunicações com grandes autores e, como ela nos apresentou uma faceta interessante de uma lacuna de um grande clássico machadiano.

Para entender esse livro que também é uma estrada para seu sonho de se tornar universitário é preciso ir por partes.
Segue aqui algumas a carta de Capitu e questões aplicadas no nosso curso on-line que estará disponível para inscrição aberta a partir do dia 10 de fevereiro. 

Eis a carta que é, na verdade, uma versão – a voz de Capitu para a famosa história contada por Bentinho. 
 
 
 
Vevey, 28 de março de 1911. 



Minha querida amiga Sancha, 



Bem imagino tua incredulidade ao receber esta carta. Seguramente me tens por morta e enterrada há mais de vinte anos. E subitamente te escrevo, da Europa, sem nem ao menos saber se estás viva ou se esta carta, afinal, te chega às mãos, visto que o único endereço que tenho é o de teus parentes no Paraná. Haveria tanto a dizer-te, sobre todas as cousas que se passaram nestes quarenta anos, contados dia a dia, desde a trágica manhã em que a catástrofe te trouxe a viuvez e deixou tua filhinha na orfandade. Inúmeras vezes compus este relato mentalmente, mas outras tantas o deixei de lado sem saber por onde começar, nem que palavras usar para dar conta das razões que me moveram. 
Sei agora que tenho pouco tempo e não me cabe mais adiar. Deixo ordens expressas para que este envelope te seja enviado após meu falecimento, que segundo o médico não deve tardar muito. Sei, assim, que teu olhar só estará percorrendo estas linhas quando não haverá mais resposta possível neste mundo. As lembranças e emoções que deito ao papel não têm mais o poder de mudar o curso dos acontecimentos. Meu gesto serve apenas para trazer-me, a mim, um pouco de paz. E talvez também a ti, garantindo-te a certeza de que não guardei ressentimentos de ti (sim, eu sabia, vi os olhares entre ti e meu marido). 
Antes de ir-me, gostaria de despedir-me de minha tão cara amiga de infância e de te dizer que só agora parto, aos 68 anos de idade, do outro lado do oceano, levando entre minhas melhores lembranças desta vida a preciosa amizade que nos fez compartir momentos de alegria e de dor, mas que não foi capaz de me fazer escolher a total sinceridade para contigo nestes quase quarenta anos em que a vida me arrancou de nossa cidade luminosa, beijada e batida pelo mar e me transplantou para estas montanhas, onde me deixou encerrada e sem horizonte. 
Ao leres o ocorrido, na certa entenderás que era impossível que eu me dirigisse a ti sem te magoar ainda mais. Só por isso não o fiz, apesar de todas as saudades e doces memórias. Agora, porém, a verdade é um dever. Espero que me compreendas, me perdoes como te perdoei, e rezes por mim, intercedendo ao Padre Eterno por esta pobre alma a quem muito poderá ser perdoado porque muito amou, segundo promete a Escritura. Acompanha esta carta um caderno de receitas que mamãe me deu pouco depois de sairmos do colégio, e no qual nunca mais escrevi desde a manhã em que ficaste viúva, quando nele fizera as últimas anotações, antes de saber da tragédia. Verás que ao longo do tempo, além de nele copiar receitas de cozinha e maneiras de fazer modelos de tricot e crochet, de quando em quando depositei em suas páginas registros de meu estado de espírito. Por vezes foi ele meu único amigo confiável, naqueles momentos que bem conheces, em que nossa condição de mulher nos obriga a agir com discrição e cautela, por vezes até com dissimulação. 
Sugiro que interrompas aqui a leitura desta carta e folheies as páginas do caderno — cujas receitas, se desejares, poderão depois ser passadas a tua filha para que não se perca inteiramente o saber de alguns sabores. Não precisas dizer-lhe que o caderno pertenceu a sua madrinha. Deixe-a na ilusão de que morri há muito tempo. Como verás, nem mesmo meu nome está mais na primeira página dos escritos[1]. Há certas memórias que, se ajudarmos, até Deus esquece. 
Com a leitura, poderás acompanhar o que me ia na alma. Confirmarás quanto eu sempre amei meu marido e como entre nós duas nunca houvera antes daquela fatídica noite cousa alguma que maculasse nossas simpatias, nossa amizade começada no colégio, continuada e nunca interrompida até que um lance de fortuna fez separar para sempre duas criaturas que prometiam ficar por muito tempo unidas. 
O que se seguiu à descoberta daquela noite, e que nem imaginas, tratarei de contar-te resumidamente. 
Na manhã seguinte, aturdida e abatida, escrevi aquelas notas em meu caderno e depois fui à missa com prima Justina. Ao regressar, soube que Santiago fora chamado às pressas à tua casa, porque teu marido se afogara. Não pude deixar de recordar, imediatamente, que ainda na véspera eu pensara em sua morte, e na minha também. Igualmente pensara na tua morte e na de meu marido, cheguei a pedir aos céus que elas se abatessem, tão ferida e dilacerada me encontrava eu com a descoberta da traição. Devido à lembrança dessas orações recentes, sentia-me como se meus pensamentos houvessem provocado a tragédia, como se a morte dele, tua viuvez e a orfandade de minha «filhada tivessem como causa única meus desejos secretos. Ao chegar a hora da encomendação e da partida do corpo, teu desespero foi muito além do que eu podia suportar. A olhar fixamente o cadáver, supliquei com todas as minhas forças que ele me levasse consigo, pensei em lançar-me ao mesmo mar que o levara e que agora me atraía, como se a única maneira de findar meu sofrimento fosse ser tragada pela mesma ressaca que o arrebatara e ainda bramia diante da casa. Nos dias e semanas seguintes, ajudei-te como pude a arrumar tuas cousas e preparar tua mudança para o Paraná. Por vezes desejava falar-te, contar que eu vira os olhares trocados por ti e Santiago. Outras vezes, desejava confessar-te que a morte que te atingiu fora invocada por mim. Não ousei. E depois de tua partida, continuamos nos escrevendo como se nada houvesse mudado em nossa amizade. De minha parte, essa correspondência constituiu uma mentira e uma falsidade que sempre me molestaram muito e só agora clareio. 
Nessas cartas, outra coisa que te ocultei foi o motivo que me fez vir para a Europa com meu filho. Eu já havia proposto antes a Santiago essa viagem, ou uma temporada em Petrópolis. Sofrendo de melancolia nessa ocasião, ele vivia calado e aborrecido. Dizia que os negócios andavam mal. Propus-lhe vender as joias e os objetos de algum valor, até que tornassem a andar bem. Respondeu-me secamente que não era preciso vender nada, pegou do chapéu e saiu. Então vivia assim, sempre irritado. Com o pequeno, ainda mais do que comigo, se tal era possível. Evitava-o quanto podia, respondia com aspereza a suas perguntas, fazia-o chorar a todo momento. Para ver se melhoravam as cousas, propus meter o menino ao colégio, de onde só viria aos sábados. Pois crês que nesse dia, o pai saía, buscava não jantar em casa e só entrava quando ele estava dormindo? Aos domingos, trancava-se no gabinete ou saía outra vez. Quando acaso se encontravam, era doloroso constatar o contraste entre o menino, alegre, turbulento, expansivo, cheio de riso e de amor, e a evidente aversão que lhe tinha o pai e que já não podia disfarçar. Como não disfarçava o horror que minha presença lhe causava. 
Houve, porém, um sábado em que se encontraram. Não sei o que houvera antes, mas logo antes de sairmos para a missa, o menino entrou correndo no gabinete do pai, chamando-o com sua alegria de sempre, querendo beijá-lo. Fui atrás, devagar, e cheguei a tempo de ver Santiago forçando o filho a tomar uma xícara de café[2], a ponto de empurrá-lo pela goela abaixo da criança. Como o pequeno não quisesse, o pai insistia. Mas depois mudou de ideia de repente, recuou, começou a beijar doudamente a cabecinha dele e a exclamar que não era pai dele. Ouvindo isso, decidi interferir. Entrei no gabinete, disse ao menino que saísse. 
Pedi explicações daquela cena e das lágrimas dos dois. Ele repetiu que não era o pai do menino. Estupefata e indignada com tamanha injúria, pensei que não resistiria à dor. Mas quis saber de onde vinha tal convicção, insisti para que falasse tudo, teimei para que fosse sincero, a fim de que eu soubesse do que estava sendo acusada e pudesse me defender. Acabei por lhe dizer que, se não achava que houvesse defesa possível, eu lhe pedia nossa separação. Já não podia mais! 
Minha querida Sancha, tanto tempo se passou, tantas dores se somaram a essa, e meu coração ainda se confrange ao recordar esses instantes que eu não acreditava estar vivendo, mas cuja realidade o próprio tempo se encarregou de confirmar. Pois Santiago passou então a acusar-me de ter tido meu filho com teu marido! Era demais! Até os defuntos! Nem os mortos escapavam aos seus ciúmes! 
Eu sabia a razão da acusação. Era a casualidade da semelhança. Como se não as houvesse na natureza... Seguramente te recordas de que teu pai mesmo gostava de mostrar como eu era parecida com o retrato de tua mãe que pendia na parede da sala. Lembra-me sua insistência em mostrar como nossas feições eram semelhantes, a testa principalmente e os olhos. Dizia até que nosso gênio era um só, parecíamos irmãs. Por isso, tu e eu seríamos tão amigas... 
De qualquer modo, a convicção de meu marido era sincera. De nada me valeria argumentar. Nem eu o desejava. Não se tratava mais da pessoa por quem me apaixonara ainda menina e com quem eu desejara compartilhar toda a vida. Desde então, dentro de mim, passei a chamá-lo pelo sobrenome, como se se tratasse de outro homem. Talvez fosse essa uma derradeira tentativa terna de preservar o apelido familiar para o menino que fora meu companheiro de folguedos, o rapaz que por tantos anos eu esperara, o homem dos primeiros tempos do casamento, que me deu tanta felicidade. Feliz como um passarinho que saiu da gaiola, dizia ele. Mal suspeitava eu que saíra apenas para dentro de um quarto cheio de espelhos, que me fazia supor estar entre as árvores e o céu aberto, mas se limitava a me prender, num vertiginoso jogo de ilusões que se repetiam ao infinito. 
Fui à igreja, confiei a Deus todas as minhas amarguras, na esperança de que Sua vontade um dia explicaria tudo, se assim o desejasse. Trouxe comigo a certeza de que a separação era indispensável. Eu não poderia conviver com tão infamante suspeita. De regresso, ao limpar a bandeja na cozinha, derramei o café frio da xícara na cuia que servia de caneca ao papagaio. A ave tomou e morreu. A bebida que Santiago forçava pela goela abaixo de nosso filho estava envenenada. Mais uma vez dissimulado, Santiago não quis que soubessem de nossa separação. Preferiu fazer algo diverso. Embarcamos num paquete como se fôramos de passeio para a Europa, numa viagem em que meus tormentos só não acabaram comigo de uma vez porque eu sabia que tinha que me fazer forte, pelo meu filho. Era meu único consolo. 
A bordo, conhecemos uma professora do Rio Grande, de quem me fiz amiga. Chamava-se Eugênia. Acabou vindo conosco para a Suíça e, depois que Santiago tornou ao Brasil, ficou ensinando a língua materna a meu filho e me fazendo companhia. Gostarias de conhecê-la, Sancha. Conversaríamos muito, as três. Sendo uma pessoa que desde cedo teve que trabalhar arduamente para ganhar seu sustento, Eugênia tinha um entendimento diferente das cousas do mundo, que me foi de muita valia. 
Ao cabo de alguns meses, convenci-me de que Santiago só podia estar doente, para ter imaginado uma cousa daquelas. Talvez algum dia pudesse curar-se daquela enfermidade. E entendi que meu filho seria mais feliz se soubesse que seu pai o queria. No afã de tentar assegurar ao menos um pouco dessa afeição, comecei a escrever cartas a Santiago. Respondia-me com brevidade e sequidão. Eu procurava mostrar-me cordata, até submissa, afetuosa — por vezes até me permitia revelar-me sinceramente saudosa. Mas de nada adiantou. Por uma antiga vizinha de nossa casa na Glória, que encontrei casualmente em Lausanne, soube que Santiago vinha algumas vezes à Europa e voltava com notícias minhas, como se acabasse de viver comigo. Mas a verdade é que nunca me procurou. Mais uma dissimulação, entre tantas... 
Decidi também simular. Já que estava mesmo vivendo uma nova vida, decretei para mim mesma a morte daquela moça alegre e feliz que gostava de bailes no Rio de Janeiro e levava uma vida tão mais leve. Abandonei meu apelido de menina e passei a me apresentar como Lina, usando a outra metade de meu nome. Mas sou Lina apenas para os poucos amigos íntimos. Todos me conhecem mesmo é como Madame Santiago. Com a ajuda de Eugênia, encontrei um posto de trabalho numa pensão para estrangeiros. De início, como ajudante de cozinha, depois como camareira. Aos poucos, passei a governanta. Era uma solução que garantia casa e comida para mim e o menino, permitindo-me que não tocasse no dinheiro que Santiago ocasionalmente enviava. Deixava-o como garantia para imprevistos. Dos meus próprios ganhos, custeava a educação de meu filho. 
Quando ele completou os estudos, quis muito voltar ao Brasil e ver o pai. Eu não tinha como impedi-lo, nem podia contar-lhe os verdadeiros motivos da separação. Além do mais, confesso que tinha alguma esperança de que esse encontro servisse para que Santiago reconhecesse como fora injusto com ele. Com o passar dos anos, as semelhanças de meu filho com teu marido tinham se atenuado enormemente. Bastava ver como o rapaz era bem mais baixo, menos cheio de corpo, e como todas as suas cores eram diversas, vivas. 
De minha parte, porém, eu não desejava mais contato algum com Santiago. Para mim, estava morto. Como eu para ele. Impus, então, uma condição para que meu filho retornasse ao Brasil. Primeiro, ele escreveria ao pai, contando que eu estava morta e enterrada. Não faria mesmo diferença para ninguém, já que eu não tinha mais família e havia anos não trocava notícias contigo, minha única amiga. Ninguém sofreria com essa mentira. Em seguida, ele embarcaria para o Brasil, trajando luto, e procuraria o pai. 
Assim foi feito. Não sei como se passou o encontro, meu filho em suas cartas não me contou miudezas. Mas deve ter sido bom, pois o pai concordou, ao cabo de alguns meses, em pagar-lhe uma expedição arqueológica à Grécia, ao Egito e à Palestina, em companhia de dois amigos da universidade. Quando a viagem científica terminasse, ele viria à Suíça encontrar-me. Nunca veio. Restava-me passar pela dor suprema em minha vida de tantas dores: a febre tifoide o levou. Enterraram-no na Terra Santa. Os amigos depois vieram visitar-me, trazendo um desenho da sepultura. Foi um cruel imprevisto contra o qual nada pôde fazer aquela quantia que eu reservara para enfrentar vicissitudes inesperadas. 
Por essa época, a dona da pensão resolveu retirar-se dos negócios. Eugênia achou que seria de bom alvitre que eu utilizasse o que poupara e mais o dinheiro reservado para garantir a continuidade de meu sustento e me preparasse para poder ter uma certa tranquilidade na velhice. Fez-me ver, também, que um desafio novo nesse momento me ajudaria a levantar-me do desespero em que estava mergulhada com a morte de meu filho. Sentia-me como um fantasma, pairando na irrealidade, roubada de meu futuro, amputada de meu passado, sem vínculos com meu país, minha cidade, minha gente, desprovida até de meu próprio nome. Deixando-me guiar pelos conselhos de Eugênia, comprei então a pensão, onde venho trabalhando até este final dos dias desta minha segunda vida. Foi uma boa decisão, que me forneceu os meios de sobreviver materialmente e muito fez por mim ao me impor a necessidade de ocupar-me com um mundo exterior a meus tormentos. 
Inúmeras vezes me lembro de ti e sinto falta de tua presença amiga. Rezo por ti com frequência, pedindo a Deus que tenhas igualmente podido ter uma nova vida com menos infortúnios, e que a lembrança dos dias da juventude te ajude na velhice. Que estejas bem, minha amiga, e que nos encontremos no Senhor. E que Ele tenha piedade de uma mulher que, se um dia teve a audácia de crer que poderia se valer da reflexão e das ideias para convencer um rapaz a ir contra as ordens da mãe, os planos da família e desrespeitar uma promessa feita a Deus, fê-lo apenas por amor, seguindo os ditames de seu coração, e na esperança de ser feliz. 
                                         Tua 
                                              Maria Capitolina 
 


[1] Explicação para o nome ter sido arrancado do caderno.
[2] Essa é uma interessante questão para a prova porque aparece tanto da obra de Machado quanto na de Ana Maria Machado.